Archive for the ‘Cinema TV e etc…’ Category

No blog do Eduardo Guimarães

outubro 23, 2010

Mais dois vídeos além do SBT e Record que desmontam a versão da agressão com meteoro de 2kg que atinginu Serra, o arrmador.

Bolinha de papel foi lançada por segurança de Serra (ou alguém de seu círculo interno de segurança).
http://www.blogcidadania.com.br/2010/10/video-mostra-um-suposto-tucano-atirando-bola-de-papel-em-serra/

A fraude da Globo.
Ao ser desmascarado com a bolinha de papel, inventaram nova versão (À posteriori do meteoro de 2kg) para dizer que houve segundo objeto. Bem, se desmontada essa aparecerá um terceiro “artifact”?
http://www.blogcidadania.com.br/2010/10/video-sugere-que-globo-cometeu-fraude-para-ajudar-serra/

Anúncios

Arte Galactica

junho 17, 2007

Eles são pagãos, politeístas e aborto é um direito garantido. São também politicamente incorretos: bebem (muito), fumam (de tudo e o tempo todo. Eu nunca vi tantos tipos e formas de aproveitamento do tabaco! São cigarrilhas, cigarros, charutos… de todas as formas, calibres, cores e tamanhos. O médico fuma em cima do paciente e bate a cinza na cuba ensangüentada, Adama arranca o filtro, Baltar engole longas cigarrilhas marrons sofregamente e Starbuck fuma até alga!), se drogam (as vezes até por ordens superiores), jogam, xingam (além dos palavrões normais inventaram até seu próprio palavrão espacial: Frak. Frak you, son of a bitch! :P). E o mais importante: copulam como chimpanzés. Ainda bem! Sua maior preocupação é a sobrevivência por hoje e, se der, a perpetuação da raça humana. Fazem tudo como se não houvesse amanhã (e talvez não haja já que os Cylons estão na cola, 24 horas por dia).

Não tem como não fazer uma comparação com o seriado meio infantil do fim dos 70 e início dos 80. Comandante Adama, Conde (agora Dr.) Baltar, Coronel Tigh, Mr. Gaeta, Boomer, Starbuck, Apollo (e outros “callsigns” usados pelos pilotos dos Vipers e Raptors), o Quorum dos 12, os deuses gregos, o êxodo das 13 tribos de Kobol e as treze colônias (referência explicita aos EUA, mas também ao zodíaco e, de quebra, às tribos de Israel. Coisa que não estraga a série em nada. Aliás as referências às culturas antigas Incas, Maias, egípcias, romanas, gregas, celtas, árabes, indianas, etc. são constantes, o que dá a entender que esses são nossos antepassados, tipo: “Eram os Deuses Astronautas?”). No original eles são uma teocracia pacifista, boa e unida. No atual uma democracia representativa burguesa que mistura burocracia presidencial e representantes tribais supersticiosos e pouco amigos; terroristas; além de sindicatos, revoltas, extremistas, fanáticos, ecologistas, pedófilos, contrabandistas, prostitutas, racistas, eugenistas, etc, etc. A princípio, parece o clichê de sempre. Um completo mini sistema político e social (um microcosmo bla bla bla…), em fuga pelo espaço e em transformação constante. Até aí nada demais, mas o resultado é fantástico.

A nova história é um pouco diferente da anterior. Como dizem os produtores: “Reimagined”. Tudo começa com um ataque esmagador (depois de 40 anos de paz) dos Cylons que destroem 12 mundos com bilhões de pessoas em cada. Os 50 mil sobreviventes da raça humana fogem pelo espaço em uma grande frota de naves sob a proteção da Galactica, a última astronave de combate inteira. Só que desta vez os Cylons, (a princípio, fanáticos monoteístas, não fumam, não bebem e tentam infundir o temor a Deus e matar todos os humanos 😛 Olavo de Carvalho é um Cylon!!! :P) não são uma raça à parte, desenvolvida em outro lugar. São fruto do desenvolvimento da Inteligência Artificial. Uma vez servos, agora algozes. Não há Aliens.

Além disso, nada de gente com cabeça de lata se fingindo de robô. Os centuriões são máquinas da pesada e os cylons se utilizam de tecnologia genética para gerar doze modelos híbridos, de carne e osso, com aparência humana. Até os Raders, antes pilotados por uma dupla de fantasiados, são agora cada um um robô em si, um cyborgue hibrido, mas não humano, de fronte metálica ameaçadora. O visor vermelho com a luzinha de um lado pro outro (zum, zum, zum :P) não poderia faltar, é claro, mas tudo High Tech e ao mesmo tempo Heavy Metal. Pior, os Cylons são imortais. Quando morrem suas consciências são “baixadas” para uma das muitas instalações de ressurreição onde acordam em novos corpos (seja esse um corpo humano, um Rader, um Centurião ou mesmo um hydra: cylons de aparência humana mas de utilização dedicada. Meio insanos e clarividentes, são consciências dedicadas a um serviço: o controle operacional e de navegação de grandes naves que sentem como se fossem extensões de seu próprio corpo). A estética é ao mesmo tempo moderna e impressionantemente respeitosa ao original, do formato dos Vipers e Raptors até as táticas de guerra (grande sucesso da série anterior) passando pelas folhas de papel (e haja papel!), o CIC e as telas do Dradis.

Os computadores não podem estar em rede por segurança (toda comunicação de um cluster de processamento para outro é feito por gente. Cada um tem sua impressora. Em um se calcula os saltos, em outro se faz o imput dos dados e em outro ainda é feita a comunicação. O acionamento é manual, etc. Nenhum computador opera em conjunto com outro que esteja fora da área de visão de seu operador. Segurança contra invasão Cylon) Toda comunicação é por fio. O rádio (wireless) só é usado para coisas sem importância ou, se necessário, de forma rápida, em freqüências codificadas e com códigos alterados a cada vez que se usa. Se um computador tiver comunicação wireless os cylons invadem. Isso é terminantemente proibido na Galactica e por isso ela sobreviveu.

Armas laser fazendo tziu, tziu?! 😛 Nada disso. Na Galactica de agora é tudo na bala. Os Vipers tem metralhadoras e os projéteis pipocam pelo espaço. A barragem de fogo da Galactica (uma das táticas de batalha mais famosas da sci-fi) foi levada a um termo de realismo que chega a tirar o fôlego. É um rio de fogo contínuo, cuspido pelo espaço por centenas de canhões duplos, funcionando como pistões, espalhados pelo dorso da nave. Essa barragem mantém a distância de outras naves e garante espaço para os Vipers atacarem, embora eles próprios possam ser vitimados por ela se chegarem perto. Chumbo grosso!

Está lembrando de Boomer, Starbuck e Apolo em mil aventuras com um garotinho e um cachorro robô? Mulheres boazinhas e solícitas em roupas colantes? Esqueça! Inclusive a série é precedida de um aviso antes de começar: “Violent and Mature Content. Parental discretion is advised”. Nada de vender lancheiras com a cara de Starbuck… 😛

Nessa versão Starbuck é uma loura suicida e fucked up total, abusada na infância e que abusa do alcool, do fumo e das pessoas. Starbuck é um personagem complexo, repete inconscientemente as estratégias de sobrevivência que aprendeu em casa. Tudo que ama, machuca, tudo de bom tem de ser estragado. Trair é uma prevenção doentia a ser usada antes que o outro o faça ou a force a se abrir. Ser (e fazer) infeliz a manteve viva. Ser feliz exige mexer onde está há muito tempo protegida. É uma soldado, uma heroína (indisciplinada, mas Starbuck nunca, nunca, deixou de cumprir uma missão, reputação que ela alimenta, sem respeito nem por sua própria vida). Uma eterna infeliz que estraga tudo que toca. Ainda por cima sofre uma das mais incríveis torturas psicológicas já inventadas numa série de tv. Quando está prisioneira da ocupação Cylon em “New Caprica” ela é obrigada a viver uma vida de casal com um cylon interessado em faze-la abrir-se, penetrar na alma humana, domá-la.

Todos os dias ela o mata (por mais que ele evite) e ele volta ressuscitado para recomeçar de onde parou. Estuprada diariamente e forçada a fingir que ama seu carcereiro (para Starbuck essa é a parte fácil. Soldados são treinados para agüentar essas coisas), os cylons ainda aprontam mais uma. Essa sim, das boas. Ela sabe que um de seus ovários foi retirado em uma das “plantações” dos Cylons em Caprica. Um belo dia, após mais uma morte, seu “marido” chega com uma menina, supostamente fruto desses ovos roubados. A princípio ela se recusa a acreditar e a aceitar a criança. Porém, ela sabe que pode ser verdade e, no dia que a criança sofre um “acidente” sob sua guarda, ela se desespera e, no processo de salva-la e cuida-la… se abre. Aceita e acredita. Starbuck finalmente transcende seu passado e acha o uma razão para viver que não seja simplesmente pilotar um Viper. Uma segunda chance, o fim de seu ciclo de destruições.

Quando o resgate chega a Nova Caprica e os tira daquele lugar e do domínio Cylon, a mãe da criança aparece e, em meio a lágrimas, agradece a Starbuck por te-la salvado do seqüestro. Fora enganada. “Meu mundo caiu”? É pouco! Como sempre, repetindo o passado, tudo que ama lhe é roubado ou a faz sofrer, ela se expôs e a recompensa… Daí por diante seu comportamento auto destrutivo retorna com força total, dessa vez afetando até seu desempenho de piloto, seu último refúgio. Katee Sackhof se vira, mas poderia ser uma atriz melhor.

Boomer agora é uma japonesa (Linda como todas as Cylons! :P) e é uma Cylon infiltrada. Assim como outros, não sabe o que é de verdade (sleeper agent) e viveu junto com seus companheiros e sua família toda a tristeza e matança da fuga (o abandono de Helo em Caprica e o fim do relacionamento com Tyrol por ordem de Tigh. Em tempos de guerra, relacionamentos na tropa são proibidos). Sofre e não consegue entender como pôde botar duas balas no peito de Adama. Os cylons estão começando a aprender a viver e vendo que a vida é histórica, feita de experiências e que seguir a programação é uma traição ao que viveram, é trair a si mesmos.

Por outro lado esse é o novo terror da humanidade. Não se sabe quem é o inimigo, ele pode ser a mãe dos seus filhos, seu pai e mesmo crianças ainda por nascer. Além disso as circunstâncias da sobrevivência e os laços criados nos fazem duvidar quem é mais humano, se eles ou nós. No fim, o inimigo está em nós mesmos e essa é a moral da história. Dependendo das circunstâncias, todos nós somos covardes ou nobres, pacificadores ou terroristas. O inferno são as circunstâncias e ninguém mais é inocente… ou culpado, como no caso de Gaius Baltar. Esse é um anti-herói patético, atormentado e, literalmente, assombrado que não sabe o que é. Os cylons o usaram inadvertidamente contra os humanos. Eles também se aproveitam dele ao faze-lo pensar que ele pode ser cylon. No entanto uma frase de Caprica Six a Athena entrega a verdade: “se você quer ser humana, basta pensar apenas em si mesma”. Como seu exemplo e convivência com humanos é basicamente Baltar, ele é humano. Mas, escrever sobre as assombrações desse atormentado personagem faria esse texto, já grande, se tornar um tratado sobre a covardia, o egoísmo e o medo da própria sombra.

Enquanto na versão original todos estavam unidos e pensavam da mesma forma, na nova, até os Cylons discordam entre si e se matam. A fuga deixou claras as diferenças que existiam previamente nas colônias. A divisão social, econômica, educacional, familiar, etc. mantém a hierarquia e, qualquer sistema, mesmo democrático, é estruturalmente incapaz de resolve-los, ainda mais nessa situação.

As eleições, a dedicação da presidente pela sobrevivência da frota, nada evita que as diferenças de antes se tornem ainda mais socialmente engessantes na urgência da sobrevivência do dia-a-dia. Se a mobilidade social já era difícil em casa, na frota é impossível.

Todos esses problemas, agravados pelo terror de cylons infiltrados e indistintos, tornam a vida muito difícil de agüentar e a loucura e as revoltas explodem. Ninguém confia, ninguém realmente conhece ninguém mais. Aliás, vendo o drama de Boomer, ninguém sequer confia mais em si mesmo. Numa cena cruel o chefe Tyrol (ex amante de Boomer), responsável pelo hangar e manutenção dos Vipers (e alambiqueiro de primeira! :P), tem pesadelos em ser um cylon. Ao ser acordado por sua subordinada, Cally – uma linda, meiga e jovem menina com carinha de criança doce e indefesa que sofre de amor por ele -, Tyrol, num delírio de fúria e medo e num estado ainda semi-acordado, soca e destrói essa carinha até lhe esmagar os ossos da face. Ao cair em si e ver, atônito e desesperado, o que fez, o remorso, a culpa e o medo se tornam ainda piores. Por mais que queiram, precisem, de alívio, distância ou mesmo da morte, as enlouquecidas e estressadas pessoas a bordo da frota não podem parar, o hangar tem de funcionar e os Vipers tem de voar!

Assim, com a mandíbula costurada por arames, sem poder falar e com a cara inchada, Dr. Cottle “libera” Cally para o trabalho. Quando ela, entre os dentes, pergunta: “assim”? Ele responde: “Mesmo com a boca costurada mulheres só saber reclamar”! 😛

Não há reconhecimento, batidinhas nas costas e nem salário. Na Galactica, como na guerra e na vida, os mais fracos só se fodem. Muito.

O drama, os remorsos e cada falha tem repercussões muito mais graves neste universo. Na nova Galactica as pessoas estão se acabando, morrendo por dentro e de verdade. Como não poderia deixar de ser na situação em que se encontram. Com certeza, se algo não acontecer, eles nunca chegarão lá.

Por muitas vezes a música de Bob Dylan ecoou na minha cabeça quando assistia ao programa e não foi surpresa que ela fosse o fio condutor dos dois últimos episódios da terceira temporada. Ela se encaixa na série em todos os aspectos.

There must be some kind’a way out of here

Said the jocker to the thief

There’s too much confusion

I can’t get no relief

Businessmen, they drink my wine

plowmen dig my earth,

None of them along the line

know what any of it is worth

No reason to get excited,

the thief, he kindly spoke,

There are many here among us

who feel that life is but a joke

But you and I, we’ve been through that

and this is not our fate,

So let us not talk falsely now

the hour is getting late

All along the watchtower

princes kept the view

While all the women came and went

barefoot servants, too.

Outside in the cold distance

a wildcat did growl

Two riders were approaching

the wind began to howl.

(No entanto resultado desses episódios não foi muito bom, não sei se eles pensavam que a série terminaria ali, mas algo não estava muito bom, foi meio fraco. Mas falarei disso em outra ocasião, se eu tiver paciência pra escrever mais. :P).

Crianças com cachorros robô participando da aventura? Só se for dormindo em óleo sujo, no chão de um hangar, no intervalo do trabalho e o cachorro pra janta! Assim como no mundo real, na frota em fuga as crianças são as primeiras vítimas da guerra. O caráter do novo seriado fica evidente no piloto da série onde um novo modelo Cylon, tipo loura gostosa (agora eles são louras gostosas ou tipinhos canalhas como Dean Stockwell! :P), quebra o pescoço de um bebê dentro do carrinho em um restaurante de rua em Caprica. Só pela curiosidade de faze-lo! E sai em passos apertados com uma expressão mista de êxtase, medo e remorso enquanto a mãe fica para trás, gritando e sem entender o que aconteceu, envolta pela multidão.

Outra morte de criança é mostrada com destaque na fuga das naves. Quando os primeiros sobreviventes estão “a salvo” nas naves a Presidente das colônias conversa com uma garotinha. Já a bordo de outra nave a Presidente decide que a guerra está perdida e que as naves que tem capacidade de “salto espacial” devem fugir e tentar reconstruir a civilização em outro lugar. A nave da garotinha não tem jump drives e o clarão nuclear engloba tudo.

Os gritos de desespero dos que ficam ecoam em todas as freqüências de rádio. A frota parte abandonando-os (e sem responder aos apelos pois os cylons poderiam capturar e tortura-los e saber o destino da fuga) homens, mulheres e muitas, muitas crianças. Crianças também são seqüestradas, abusadas, trocadas, abortadas e etc. É a guerra.

Existe só mais um personagem sobre o qual eu queria falar mais detalhadamente: Coronel Saul Tigh O XO (executive officer) da Galactica. Tigh é mais do que o segundo em comando na Galactica. Ele é a mão forte sem a qual ela não funciona direito. Ele não é bem a mão direita de Adama. Nem apenas seu melhor e mais velho amigo. Ele é um cão de guerra, de lealdade inquestionável. É a voz dura que opera o CIC enquanto Adama observa o desenrolar da guerra pelas telas do Dradis e pensa em estratégia. Ele mantém a nave sob os pés de Adama para que ele possa vencer sua guerra.

Um é um mestre militar, um nobre guerreiro, que não se excede, que tem o luxo de ter autocrítica e de ser um líder inspirador militar e moralmente. Mas quando a coisa pega e Adama sabe que decisões difíceis tem de ser tomadas em segundos e causarão, com certeza, a morte de muitos, é Tigh quem aperta os botões. Ele faz a parte suja do serviço de Adama.

Quando Tigh diz “É uma ordem!” as pessoas mordem os lábios, juram vingança e o odeiam, mas botam o rabo entre as pernas e obedecem. É por isso que, enquanto Adama é amado, Tigh está a um passo do ódio generalizado. São uma dupla que funciona bem há muito tempo: quarenta anos de serviço militar, duas guerras interplanetárias no currículo e muitas black ops entre uma e outra.

Enquanto Adama estava no “morre não morre” por causa dos tiros de Boomer, Tigh parece ter saido de controle (sob influência de sua mulher, Ellen), colocando tudo de pernas pro ar e pisando em todos. Mas essa é a única maneira com a qual sabe lidar com as coisas: sem ninguém retrucando cada ordem (por isso Adama so tem de falar as coisas uma vez. Tigh é quem grita). Por isso nunca quis o comando de nada além da execução de operações (é o XO por natureza).

Enquanto Adama estivesse naquele hospital ele manteria a ordem em compasso de espera para ele, mesmo que tivesse que matar metade dos sobreviventes. Mais um ponto para o ódio a Tigh.

No começo da história, em suas altercações com Starbuck, parecia que Tigh era só um velho babaca, rabugento e atrasado que grita ordens com o canto da boca e voz de trovão. Pior, um elo fraco, um bebum amargurado. Essa impressão passa rapidamente. Ele bebe mesmo, o dia todo desde a hora em que acorda, ainda assim está pronto e “apresentando-se para o dever” antes de Adama, deixando tudo pronto para o almirante. Aliás, acorda Adama todos os dias com a ordem do dia para assinar e os relatórios do dia anterior. Não tem nada fora da vista dele e, embora seja osso duro de roer, é peça fundamental na sobrevivência da humanidade (coisa que torna o final da 3a temporada ainda mais chocante!).

Seu casamento é a coisa mais incrível da galáxia (e quantos assim não existem por aí…). Ellen (não sei o nome da ótima atriz), uma mulher ainda bonita, de seus 50 anos, é uma alpinista social e ninfomaníaca que só pensa em sexo, birita e sonhos de grandeza. Tirando a birita e o sexo, parece que nada os liga! 😛

Não é verdade. Ellen o ama. Ela dá em cima de outros homens para despertar ciúme em Tigh na vã esperança de que algum dia ainda terá espaço na vida dele tanto quanto o trabalho. Ele por sua vez finge que não vê (a não ser nas brigas homéricas quando tudo é jogado na cara de um e outro), pois sabe que, apesar de ama-la, ela nunca terá esse espaço.

Outro motivo pelo qual ela brinca nas camas das colônias é conseguir um posto de destaque para ele, coisa que ele evita mais do que a morte! Seu maior desejo é ser a mulher de um grande comandante, mas desde que esse comandante seja Saul Tigh. Com sua beleza e “talentos” com certeza teve chances de troca-lo por alguém com o prestígio social que gostaria, mas nunca o fez. Ele é o melhor sexo da vida dela (e vice-versa) e ela o ama e ainda tem esperança de muda-lo, mesmo nessa altura da vida nos cafundós da galaxia. E é em nome da vida dele (ainda que uma vida sem nada e sob ocupação) que ela comete o erro final e morre… pelas mãos de Tigh. Essa é uma história de amor, mas trágico e seu final é doloroso.

Durante a ocupação em New Caprica, Tigh é preso. Por quatro meses foi torturado dia e noite e nada o fez esmorecer. Seu olho direito foi arrancado e mostrado pra ele (“parecia um ovo cozido”, disse), mas nada o abalou, ele continuava o mesmo, inquebrável, Tigh. Durante todo esse tempo Ellen só teve um pensamento: salva-lo. Assim como Tigh só sabe ser militar, Ellen só sabe ser mulher e ela “frak his way out of jail” até que um Cylon (Dean Stockwell) ordena sua libertação achando que com a perna torta, um olho arrancado e muitas cicatrizes novas aquele velho alquebrado nada faria. Ledo engano.

Alquebrado, envelhecido, barbudo, sujo, vivendo como um miserável, como um judeu num gueto da Alemanha nazista e sem um olho (coisa altamente simbólica já que os Cylon são “cíclopes”), ele se torna o líder da resistência, o comando geral que faltava. É ele que cria a organização, ensina as táticas, a furtividade, os ardis e a malícia da guerrilha, inclusive com o uso de homens bomba (as citações à ocupação nazista assim como às ocupações israelenses é direta. As circunstâncias fazem o homem bomba).

Graças a ele os ataques da resistência conseguiram desestabilizar a ocupação, ferir os colaboracionistas, coordenar-se com a Galactica (que ele, e mais ninguém, sabia que estaria na escuta escondida em algum lugar, foi por isso que Adama mandou que ele descesse para o planeta. Para ter um comando em terra) e causar as condições necessárias para o resgate. E foi aí que a porca torceu o rabo.

O oficial de ligação, primeiro passo do resgate, seria recebido num local secreto e Ellen sabia onde. Ela rouba o mapa e pela garantia da vida do marido, entrega aos cylons. O encontro ocorre com sucesso, mesmo com a pista dos cylons, mas a participação de Ellen é revelada. Esse é o momento em que Saul quebra pela primeira vez desde o início do sofrimento da grande fuga. Ela, antes que todos, era a única que não poderia ter se colocado no caminho dele… e da guerra, lugar onde Tigh não pode deixar de ser implacável. Seus companheiros pediram sua cabeça e ele a deu (qualquer relação com a Nora de Ibsen, em Casa de Bonecas, não é mera coincidência, mas essa Nora se deu muito mal mesmo!).

Numa das cenas mais dramáticas da história da tv. Saul Tigh envenena Ellen e fica com ela enquanto ela pede perdão e explica tudo que aconteceu. Finalmente morre, no buraco mais sujo da galáxia… se pensarmos em tudo que ela desejou! Quando ela morre, Tigh que, devido a seu caráter fechado e duro, nunca disse que a amava, finamente diz para seu corpo.

Até os últimos minutos do último episódio da 3a temporada parecia que mais cedo ou mais tarde Saul se mataria. A volta de dele à Galactica serve de exemplo para uma frase que ele sempre fala sobre Adama e que resume sua vida: “Always making the old man look good”.

Nesse ponto a história dá uma virada (que eu não vou dizer em detalhes pois nem todos assistiram ainda os 4 ou 5 últimos episódios que irão ao ar nas próximas semanas na TNT). E só mesmo a revelação do que Saul é na verdade, lembra a ele quem ele escolheu ser e porque. Imediatamente, como se nada tivesse acontecido, ele, de tapa-olho e voz de trovão comanda que os outros envolvidos retornem imediatamente a suas “action stations”. Afinal, tudo que eles passaram não foi em vão e o sentido da vida é construído por sua história. E, ao som de All Along The Watchtower, o chumbo grosso recomeça. Dessa vez pior do que nunca.

É um reencontro do sentido que deixaria Victor Frankell (autor de “Um Psicólogo no Campo de Concentração”) comovido!

Bem, é isso… Há muito mais o que falar de Battlestar Galactica:

os heróis que carregam o mundo nas costas: Adama, Laura Roslin, Apolo.

Os 5 modelos de Cylons ainda “desconhecidos”,

Baltar!!!

A incrível trilha sonora de tambores tribais e cânticos orientais. Quantas séries ainda se dão ao trabalho de criar toda sua trilha sonora?!?!

Os recursos dramáticos, os efeitos, os cenários grandiosos,

Os triângulos e quadrados amorosos, a tensão de amor e ódio entre Apolo, Starbuck e um irmão já morto(!) de Apolo. Com direto a socos de quebrar o nariz, etc. Mas já escrevi muito mais do que pretendia sobre Galactica. Deu pra ver que gosto, né?!?!! 😛

BS é mais do que sci-fi art, é arte pura e simples, independente de gêneros. Dramático como uma ópera, real como um documentário, profundo nas relações humanas, assim é a nova Battlestar Galactica.

A última coisa é dar nome a alguns bois.

Os atores incríveis:

Edward James Olmos – Almirante Bill Adama

Mary McDonnell – Presidente Laura Roslin

Tricia Helfer – Cylon Número 6

Michael Hogan – Coronel Saul Tigh, o XO

Richard Hatch – Tom Zarek (foi também o Apolo da primeira versão)

Dean Stockwell – Cylon que se passa por sacerdote e é o responsável pelas prisões em New Caprica.

Donnelly Rhodes – Dr. Cottle

De resto a maioria dos atores é “boa o suficiente” (os que fazem Cally, Dwalla, Kat, Apolo, Starbuck, Boomer/Sharon/Athena, Tyrol, etc.), ou quase.

Poucos são ruins: os que fazem Helo, Sanders e a acessora da presidente, por exemplo. Mas a média é muito boa.

Novos centuriõesCenturiões antigosCylon “Six”Tigh e Ellen
Tigh e AdamaTigh durante a ocupaçãoStarbuck
A presidenteLaura na cadeia durante a ocupação.Boomer e Tyrol

Aguardem alguns vídeos que vou mandar pro youtube