Archive for novembro \30\UTC 2008

Crise? Que Crise?!

novembro 30, 2008

Venda de material de construção deve crescer 28% neste ano

Gazeta Mercantil – O crescimento de 36,5% na receita de vendas de material de construção no acumulado até o mês de outubro e a alta de 18% no volume vendido no mês em comparação com igual período do ano anterior levou a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) a rever, pela quarta vez neste ano, as projeções de crescimento para 2008. As vendas devem avançar 28%, nível de crescimento recorde para o setor, que com isso deve obter faturamento de R$ 100 bilhões. No início deste ano a previsão da Abramat era de um incremento de 12% nas vendas. Em 2007 a alta foi de 15%.(…)

Banco do Nordeste alcança marca histórica no financiamento de Micro e Pequenas Empresas (MPE)


Banco do Nordeste em Uruçuí, Piauí

O Banco do Nordeste acaba de atingir a marca histórica anual de R$ 1 bilhão em operações realizadas exclusivamente com o segmento de Micro e Pequenas Empresas (MPE). O montante, que representa um crescimento de 960% em relação ao total contratado no exercício de 2002 (R$ 94,3 milhões), alavancou também o número de contratações do Banco com o segmento, que saltaram de 3.326, em 2002, para 61.094, em 2008 (posição do mês de novembro), o que representa um incremento de 1.600%.(…)

Investimento externo soma US$ 3,913 bi em outubro


Folha Online – A entrada de investimentos externos diretos líquidos no país foi de US$ 3,913 bilhões em outubro, comunicou há pouco o Banco Central (BC). Em outubro de 2007, houve ingresso de US$ 3,188 bilhões. Do começo deste ano até outubro, foi registrada entrada de investimentos externos de US$ 34,747 bilhões (2,62% do PIB), próximo da meta deste ano, de US$ 35 bilhões e acima dos US$ 31,169 bilhões de período equivalente do ano passado (2,87% do PIB).(…)

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Mais manchetes boas sobre a crise…

novembro 30, 2008

Tudo tirado do Blog do Alexandre Porto. Leia os artigos completos lá:

Em outubro, “o céu não caiu sobre nossas cabeças”


Vocês devem ter lido nos jornais, nos sites, assistido nos telejornais, que em outubro a crise se instalou no Brasil como uma enxurrada. As más notícias se multiplicaram nas seções de economia e os formadores de opinião deixavam claro que a tal “marolinha” era um sonho de uma noite de verão ou mesmo uma reação irresponsável do presidente Lula e de sua equipe econômica.


(…)




Dieese: desemprego é o menor da série histórica e massa salarial cresce 8,7%


Agencia Estado – A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo caiu para 12,5% em outubro, segundo dados divulgados hoje pela Fundação Seade e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Essa é a menor taxa registrada para um mês de outubro desde 1992. O desemprego apresentou recuo de 1 ponto porcentual em relação à taxa de 13,5% em setembro. Em outubro do ano passado, o desemprego estava em 14,4%. O total de desempregados na região foi estimado em 1,3 milhão de pessoas, 108 mil a menos que em setembro.(…)

Cala a boca, FHC!

novembro 25, 2008

CARONI: NÃO DIGA BOBAGEM, FHC

Tirado do Vi o Mundo

Atualizado em 24 de novembro de 2008 às 19:58 | Publicado em 24 de novembro de 2008 às 19:54

Não diga bobagem, Fernando Henrique

Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de “grande economista”. Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: “Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu”.

Gilson Caroni Filho
, na Carta Maior

A psiquiatria define obsessão como idéias ou imagens que ocorrem repetidamente e parecem estar fora de controle. A compulsão surge, então, para aliviar a angústia que essas idéias e imagens provocam. As últimas críticas de Fernando Henrique Cardoso ao presidente Lula estão inseridas em recorrentes esforços de apagar e reescrever a triste história dos seus dois mandatos sucessivos.

Ao aproveitar um encontro com prefeitos eleitos pelo PSDB paulista para atacar o atual governo, FHC comporta-se como uma pessoa que apresenta duas ou mais personalidades, sendo que a função de uma delas é dissimular seu verdadeiro estado, escondendo-se do mundo exterior, de sua própria realidade. Curiosamente, parece viver somente agora o seu verdadeiro exílio. Aquele que o distancia do que foi – e ainda é – para aproximá-lo do que gostaria de ter sido. No imaginário se reconcilia com a imagem cultivada à sombra das ilusões uspianas e escapa da pequenez política que adquiriu.

Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de “grande economista”. O tom jocoso presente em “veste a roupa, rei. Pare de falar bobagem”, resvala para o patético quando afirma que “aqui não é marola, não. Vai perguntar pra quem está perdendo o emprego hoje, que é mineiro da Vale, se é marola. Não é marola. Marola é quando você não é afetado. Está afetando.”

Provavelmente estamos diante de um lapso. O “conselheiro” do presidente parece ter apagado da memória que, em seu governo, o país se superou em matéria de malversação do dinheiro público, socialização de prejuízos e entrega do patrimônio nacional. Que foram oito anos de securitização de dívidas de latifundiários inadimplentes (o “agrobusiness”) com o Banco do Brasil. Oito anos de crescimento mínimo e endividamento externo máximo.

Esquece também que, como em nenhuma outra, sua gestão promoveu a dependência do país ao capital especulativo, sucateou a Previdência, jogou o país na recessão, e submeteu o destino da nação aos ditames do FMI para conseguir empréstimos de socorro. A nudez presidencial nunca foi tão escandalosa como no período compreendido entre 1994 e 2002.

O tucanato no poder, e é bom que nunca esqueçamos disso, fez das teses monetaristas uma religião. Seu legado foi uma inflação camuflada, desequilíbrios imensos tanto no plano interno quanto no externo. A desnacionalização de partes substantivas da produção e serviços nacionais foi a tônica de uma época que insiste em se apresentar como a “era da estabilidade”.

Aumento do desemprego, congelamento – ou irrisórios reajustes salariais dos servidores públicos – e uma escalada sem precedentes da violência urbana foram algumas das obras marcantes de FHC. Esse mesmo que, em tom professoral, pretende ensinar ao presidente como se comportar em uma crise.

Segundo o economista M. Pochmann, comparando-se os dados do Censo Demográfico de 2000 com os de 1994, encontrava-se um adicional fantástico de sete milhões de novos desempregados gerados durante sete anos. Quantos destes foram ouvidos pelo presidente tucano? Perto da política arrasada do neoliberalismo, o que temos hoje ainda é marola, sim.

Talvez fosse conveniente o ex-presidente ler publicações antigas. Na IstoÉ, de 20 de junho de 2002, o industrial Eugênio Staub, da Gradiente afirmava: “Estamos no sétimo ano de um governo que, em 2002, entregará um país em piores condições do que recebeu. O responsável pela situação atual não é o pobre, nem o americano, nem o militar, somos nós, a elite brasileira”. Segundo Staub, a única saída era “a eleição de um líder que fosse capaz de mobilizar a força transformadora”. Em suma, alguém capaz de consertar os estragos deixados pelo “grande sociólogo”. O ex-presidente que, ao deitar falação, reaviva a memória de quais foram as vestes usadas em seu reinado.

Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: “Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu”.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

Quanto vale uma comunidade humana?

novembro 6, 2008

Sobre o filme Narradores de Javé que assisti novamente há poucos dias:

Resolvi começar a análise colocando a pergunta acima pois me parece que a maior questão do filme é essa e não as possíveis considerações acerca da história oral, de como se faz a história “oficial” ou “científica”, sobre a questão da identidade (pois se é humano, tem história que foi feita por gente, que fez dali sua base no mundo), ou até mesmo a discussão sobre qual é a “verdade” -versão mais aceita -sobre uma série de acontecimentos. Melhor seria então dizer que as questões que se me aparecem mais graves são, não só quanto vale uma comunidade, mas também, quanto vale sua história e se uma só vale pela outra. Isto é: uma comunidade só é digna de respeito quando tem uma “boa história” pra contar? O que é uma história digna de virar “patrimônio”?

Ao colocar esse dilema o filme expressa também a questão do desenvolvimento industrial capitalista que julga isto como apenas um efeito colateral passageiro, ou seja, o desenvolvimento da sociedade ainda que focada em uma parte dela (em detrimento de outra) teoricamente leva ao desenvolvimento de todas as outras através de um aumento das possibilidades de iniciativa privada que pode portanto prover um ganho maior àquelas pessoas em ontro local. O Banco Mundial, em um relatório de 1994, calcula que 4 milhões de pessoas são deslocadas por ano em todo mundo só por causa de grandes barragens, sendo que entre 1983 e 1993 foram “reassentadas involuntariamente” 90 milhões de pessoas. É a mesma quantidade de pessoas deslocadas pelas guerras ao redor do mundo(1). Como diria Antônio Biá em seu arroubo de lucidez e decepção no final do filme: “Isso é Científico!”

Visto que numa sociedade capitalista a palavra patrimônio está ligada a uma lógica de acumulação de riqueza, posso dizer que aquela gente se viu obrigada a “agregar valor ao seu produto humano”. Que história é digna de ser preservada, de ter o destino da comunidade que a criou poupado dessa violência? A história da Grécia e do Olimpo, de Roma e do Coliseu, do Ipiranga e seu grito?! O importante da história é a comunidade da qual é reflexo, que ao mesmo tempo a escreve e a ela se referencia. Não se pode dizer sem muito trabalho que a história tem uma função em si, mas com certeza uma de suas propriedades é dar a uma determinada comunidade humana (e suas relações) um ponto de partida dentro do qual se cnam (e por conseguinte, se desenvolvem e transformam a história) identidades, práticas, visões de mundo, etc. A história de Indalécio e Maria Dina, sua peregrinação de sino e tudo, funciona como gerador de referências, um “mito de origem” no qual se espelham os moradores da comunidade. Seja como herói ou covarde (se foi fuga ou “retirada”, até hoje ninguém descobriu mas, não faz díferença), Indalécio é a referência para os homens daquela comunidade, seja como líder valente ou louca varrida, Maria Dina é uma referência de identificação das mulheres que destacam seu papel. Essas referências (assim como a religiosidade tragicômica do sino transplantado de lá pra cá, símbolo de que essa comunidade tem de se agarrar a outras fonnas de identidade, que não a história e a região, há muito tempo…) criam um conjunto de identidades pessoais (algumas requerendo mesmo relações de parentesco direto com os heróis), identidades locais, e relações sociais tão rico quanto o de qualquer outra comunidade humana É preciso rever o quanto antes os critérios pelos quais se guiam os “caminhos do desenvolvimento”, o eixo tem de mudar da produção para o homem.

É neste momento (de transplante da comunidade) que a sensação generalizada e antiga de que o homem não faz a história, de que ela é lhe é externa e imutável e se dá apesar dele, é reforçada pelo modelo de desenvolvimento dominante.

Por fim, diria que o valor de uma comunidade não está no fato de sua história ser mais bonita ou mais importante segundo critérios subjetivos (ou “científicos”), mas sim de que toda comunidade, todo homem, não só tem história, mas dela é ator principal.

(1) World Bank Enviroment Department (1994) Resettlement and Development. The bankwide review of projects involving involuntaIy resettlement 1986-1993 s.I., The World Bank Enviroment Department, 1994. Tirado de A violência como fator migratório: Silêncios teóricos e evidências históricas. (Carlos B. Vainer, Revista Travessia Maio-Agosto/96.