Archive for abril \16\UTC 2008

Dando um tempo

abril 16, 2008

Vou sair do Rio durante o resto dessa semana ( ficarei fora todas as semanas por um tempo), e provavelmente estarei muito cansado durante esse fim de semana para escrever algo novo, ou mesmo ler meus blogs prediletos.

Mas você não precisa parar de ler! Leia as continuações que sairão essa semana do Caso de Veja, do Luis Nassif. Essa semana, segundo ele, as coisas foram precipitadas por um caso ecabroso: Soninha vai à Guerra. A guerra não foi à Sonhinha, mas a Soninha, que já tinha participado, deve ter levado alguma trombada boa… Acho que ela é inocente na coisa, ainda, pelo menos. Alguém deve ter feito uma prévia de inferno na vida dela e ela, humana, estancou e tremeu. Quando pensar direito, vai se levantar. Deslumbramento passa e a sobrevivência se aprende.

E tem também os ótimos blogs aí do lado, fora o meio bit e o fórum do guia do hardware, do Carlos Morimoto, os quais eu vivo esquecendo de colocar o link aí no blogroll. Google ta aí pra isso 😛

Boas semanas!

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Correção do post anterior.

abril 14, 2008

Onde se lê que a Sun fez uma cópia do Red Hat e vende um suporte chamado Unbreakable Linux, leia-se Oracle. Confundi as duas empresas ao falar sobre o Solaris.

De qualquer forma, minha análise sobre a decadência do Solaris da Sun já é até coisa velha, principalmente depois de Linus Torwalds desdenhar as possíveis melhorias para o Linux diante da abertura do código do Solaris (já existe o open solaris, mas nem tudo é aberto). Segundo ele, o Solaris tem muito em ganhar com o Linux, mas o Linux já passou por fases em que se beneficiaria disso, atualmente não existe mais essa situação.

Isso coloca mais uma grande empresa (a Oracle), com alta performance e expertise em desenvolvimento e  suporte na concorrência pelo suporte Linux, aumentando o calor na fervura do desenvolvimento e da ampliação do mercado de software livre.

Sobre o suposto colapso da Microsoft

abril 12, 2008

Luis Nassif publicou dois posts em dias seguidos que renderam uma boa discussão. Um sobre o “Maior Fracasso da Microsoft“, o Vista e outro sobre uma análise do Gartner sobre o “colapso da MS“.

Vou colocar aqui algumas considerações que fiz sobre os comentários lá e que mostram como andam 1) a confusão que ainda reina na cabeça de muita gente (mesmo os usuários mais antenados) e 2) o longo caminho que falta para esse colapso acontecer de verdade.

Vamos ao que eu escrevi no caso do maior fracasso da MS em resposta a alguns comentários e ao post em si:

trabalho com geoprocessamento. Não existe nenhum soft de geoprocessamento para Mac, que eu saiba tem um para Linux, o resto é só para windows. Vou sair do Windows pra quê?”

Não sei exatamente o que você chama de geoprocessamento, mas em Macaé, no tempo que trabalhei por lá tinha dois enormes armários, cada um com 16 processadores risk e 20 gigas de ram, ligados por um craylink, dedicado à pesquisa geológica, rodando AIX. Windows não roda nem de perto nesse tipo de hardware. Aliás, quem falou em 64 Bits 8 GB de RAM e coisitas desse tipo, até muito pouco tempo atrás só se desfrutava de máquinas desse calibre em Unix/Linux, MS nem chegava perto.

Quando se fala em supercomputação , clusters e escalabilidade DE VERDADE, só se fala em Linux. MS está anos luz atrás. Nem vem que não tem. Programas de produção gráfica para Linux existem, mas infelizmente são proprietários e chegam a custar quase 20 mil dólares uma licença. Grande estúdios de Hollywood são famosos por usar Linux customizado (ele dá essa liberdade a empresa) em plataforma powerpc para produção de efeitos gráficos. É, infelizmente a produção média que não existe: Adobe, autocad… ainda. Embora já tenha existido no passado.

Quem lembra do Corel Draw para Linux? Melhor, quem lembra do Corel Linux?

Quando a Corel ainda era referência em softwares de desktop, office e design, a MS sorrateiramente traçou um plano para impedir que a Corel continuasse a ter acesso aos códigos necessários para produzir uma versão de qualidade para o Windows 98. Foi aí que enquanto a Corel correu atrás depois do lançamento do sistema, a MS lascou o office, de todas as maneiras possíveis em todas as máquinas. Quando a Corel chegou o MS Office já tinha uma base instalada tão grande que ninguém mais deu bola, ainda mais com a facilidade da pirataria.

A Corel então lançou, não só Corel Draw e Office para Linux, como um Corel Linux que já vinha com tudo embarcado. Chegou a fazer onda, mas as contramedidas da microsoft, ameaçando o Corel Draw de não funcionar mais no Windows quase levaram a Corel a falência. Foi nessa tacada que a MS enfiou o office goela abaixo consolidando seu monopólio e a Corel deixou de ser ponta em design.

Agora a Adobe se aproxima do SL e só o faz por que a MS não é mais a mesma. Está longe de falir ou de ser um fracasso, mas seu monopólio já diminuiu em tamanho o suficiente para não ameaçar demais os outros. Não foi sem muita empresa boa falida e sem muito processo judicial pesado em cortes internacionais.

O aparecimento de aplicativos de design para Linux se dará na medida que o “ambiente” 😛 demandar. Não é deficiência do Linux em si e já estão dando atenção ao problema. As dificuldades que existem no caminho, fora as de mercado, já deu pra sentir.

Mais uma vez tive problemas com uma distribuição Linux … desta vez o Ubuntu na semana passada. Após uns dias viajando, ele pediu para atualizar uns 20932093020932MB de arquivos, como de costume… incluindo uma atualização do próprio sistema.

A opção de fazer o download em segundo plano e automaticamente sem perturbar o usuário estão bem evidentes nos ambientes que conheço (em boas distribuições): Gnome e KDE. Uma atualização que termina mal tem sido a marca da MS. Acontecer de vez em quando em qualquer SO é normal, acusar o Linux disso como uma marca de sua “imaturidade” é bobagem.

Isso é “cultura Windows”. Todo mundo sabe onde fica tudo no Windows. Óbvio existe uma curva de aprendizado. Mas, para quem nunca usou nenhum como acontece em massa no Brasil, essa cultura é sem sentido e se sustenta por preconceitos assim. E se reproduz em pirataria.

Muito poucos usuários sabem instalar e configurar o windows, mas os “técnicos” só sabem sobre ele, portanto, todo mundo que tem problemas, formata e tasca o piratão. O Linux e SL em geral estão mais do que prontos para o usuário final (para o administrador de grandes DB, grande processamento, segurança e ambientes de rede e serviços ele já é TOP há muito tempo. Google, por exemplo usa Ubuntu como desktop oficial, não por ser bonzinho, por que o sistema é bom!). Pra quem usa Office, internet, email, IM e coisas assim (99% dos negócios no centro do RJ, por exemplo) ou como lazer, media center, etc. está muito bem servido de sistema com um Kurumin ou Ubuntu, ou Fedora, Mandriva, etc. Não vou falar Debian, pois é mais queixo duro mesmo.

Alem da qualidade do Windows (sim, o Vista É melhor que o XP, mais seguro, mais estável, mas não compensa na relação custo/benefício nem contra o XP), o que o segura é a cultura há muito enraizada. Mais nada.

Realmente essa briga não é entre bonzinhos e mauzinhos, é entre consumidor e monopólios, ainda mais os que se perpetuam pela inércia da cultura.

Acho que ninguém quer o fim da MS, todos querem é mais concorrência, menos monopólio, mais alternativas, menos trancas proprietárias e mais controle sobre uma das principais interfaces atuais de acesso à cultura e informação: seu próprio computador.

Não se tem de reclamar do Linux por não ter Photoshop pra ele, mas com a Adobe por não fazer um. Assim se aumenta as possibilidades de liberdade de o usuário usar “o programa que quiser da marca que quiser”.

Existe, ainda bem, um número cada vez maior de usuários focados em usar, sem ficar pensando se os drivers e programas são livres, que querem apenas a alternativa viável. Se o fabricante fizer, vai ter demanda, pelo soft proprietário, em conjunto com o Livre (o que não significa grátis)!

Eu sou fotógrafo, sem o Vista ou XP estaria perdido. Quando um profissional como eu tiver diante de si ao menos 3 opções na hora de montar seu sistema (MS, Apple e Linux), quem ganha é a concorrência e, principalmente, os consumidores.

Agora o que escrevi também em resposta ao outro post “O ciclo do Windows” (e a alguns do comentários):

Por mais que isso pareça música aos meus ouvidos, acho que foram um pouco longe demais. Esses problemas existem (a falta de modularidade inclusive já foi descrita como uma das frentes em que o Windows 7 vai melhorar), inclusive sabe-se que é um proposta difícil, mas daí a essa situação de sinuca de bico vai uma distância. Colapso?

Primeiro que o ecosistema ainda está em pleno funcionamento e se realimentando (inclusive pela pirataria), em todos os ambientes em que se usa MS, mesmo nos servidores onde é minoria. Ainda que o caminho seja só de derrocada, ela vai durar muitos anos ainda.

Em segundo lugar, a mudança em toda a base instalada deve ser muuuuuito gradual (e pro bem da concorrência, não deve ser total), na medida do rompimento de paradigmas, melhor treinamento, e mudança de hábitos. Essas coisas levam tempo.

O que nós estamos vendo é a ponta do iceberg que já reduziu em muito o poder de intimidação da MS, vide a aproximação de outras grandes empresas e dela própria com o SL. As coisa começam a mudar, os defeitos estão mais claros, o FUD não faz mais tanto efeito, as pessoas vêem que existe outras opções, etc. muitos fatores estão andando juntos. Tanto em termos de usuário final quanto em termos corporativos.

O que se sente é a diferença do peso dos grilhões e uma certa euforia de liberdade. Ainda leva um tempo de muito trabalho duro.

…………………………………………………….

A razão disso é que precisariam não apenas escrever o código adaptado a uma determinada versão do Linux como tambem dar suporte à clientela tambem do sistema operacional

Quem dá suporte ao sistema é quem vendeu o sistema, ou melhor ainda no caso do Linux, contrate uma firma que o faça, Software Livre te dá essa liberdade.

O fato de existirem Linuxes gratuitos tão bons quanto os fornecidos pelas empresas (o que é desenvolvido para a grande empresa vai parar na distribuição independente e vice-versa) não quer dizer que seu negócio despreze o suporte profissional da mesma forma que o usuário pirata de Windows. Para quem vai montar uma estação de trabalho em empresa precisa suporte. Pra isso existem Novell, Red Hat, Mandriva, Canonical (o Ubuntu é grátis, versão Server completa e etc. Certificada IBM, Sun e etc. Mas suporte é pago, oras, vai ganhar dinheiro como?).

E pode baixar grátis o Debian, o Open Suse (Novell), Mandriva Free, Fedora (Red Hat), Ubuntu (Canonical) e contratar um dos trocentos negócios locais que poderiam crescer e ser alternativa de suporte (e de emprego, educação, etc…) de qualidade! Você também pode comprar sua licença Linux dessas empresas e desfrutar de suporte por um tempo e depois começar a pagar. Igualzinho à MS :P.

Se a empresa que te fornece o programa não fornece para Linux (e nem para o Vista), diga que vai pesquisar outra, daqui a pouco tem. Num determinado momento todo mundo vai ter de desembolsar para se manter num mercado de maior competição. Esse é um dos motivos pelo qual a análise do Gartner é meio eufórica demais da conta. Tem custo para um monte de gente essa transição de mercado, embora existam vantagens óbvias no futuro.

Algumas suites famosas já foram portadas e ficam no forno esperando, ou o momento de desafiar a MS na cara, ou a transferência desse serviço para a net de vez. Outras estão sendo suportadas no sistema, inclusive graças ao esforço do Google no Wine. Agora Photoshop CS2 é completamente compatível (pra quem usa comprado, isso é muito importante. Quem usa pirata: “- ah, o CS3 é tããão legal…” :P).

Aí pergunto porque empresas dessa área não adotam o Solaris que é um sistema não apenas muito estável e desenvolvido, mas tambem com um suporte digno daquilo que ele representa.”

Não sei de que área está falando, mas uma estação de trabalho Solaris? Pra que? pra desenvolver Java? O Solaris está morrendo, não tem funcionalidade nenhuma para o usuário. Nesse momento tenta emplacar um ambiente desktop Gnome (Linux) EXTREMAMENTE rudimentar. A Sun Copiou o Red Hat Enterprise retirando as partes com copyright (logomarcas) e vendendo suporte corporativo Linux chamado Unbreakable Linux (e se dando bem). Mais ainda, empresas Linux podem vender suporte para a distribuição concorrente. Isso é competição!
Suporte a Sun tem e do bom, cada vez mais para Linux :P. Mande um email e ganhe um DVD do Solaris de graça, junto com o Developer Tools, estão implorando para alguém usar)

Aí então desisti de comprar os servidores com Linux. Mandei pôr Win2003-64 na fábrica (Dell).”

Você comprou Servidores Dell com Linux embarcado? Que eu saiba servidores Dell com SL ainda vem é com CD do FreeDOS que é pra você poder dar o boot e depois instalar um Red Hat, no site tem (ou tinha) venda de suporte da Red Hat, por fora, agora terá com Ubuntu também. Comprou o Windows com suporte, poderia ter comprado o Linux mais barato com o mesmo suporte e uma distribuição com interoperabilidade garantida com Windows. A Novell, afinal, vendeu a alma pra isso, embora as outras o façam tão bem quanto. Inclusive as gratuitas.

Por fim…

Um capítulo a parte na história do FUD tem sido escrito pelos empresários que fazem parte do programa Computador para Todos e outros de incentivo do governo.

Qualquer um gostaria de utilizar uma tecnologia que diz ser melhor que o Windows, mas isso é, convenhamos, pura bobagem. Essa descoordenação que existe no Linux, sem um responsável, sem uma marketing, sem nada, jamais fará – na minha opinião de leigo – essa tecnologia ser levada a sério e aceita pelos usuários comuns.

A exigência do governo em que as empresas que fornecem software para esses programas sejam estabelecidas no Brasil e que prestem assistência aos compradores é até boa, ou razoável, mas a fiscalização do que é entregue ao consumidor é ridícula. A atenção sobre tal fato tem sido chamada por toda a comunidade brasileira de software livre há muito tempo.

Montaram um esquemão para enganar trouxa: nós, o programa, o governo. Ao invés de pegarem distribuições existentes, amplamente testadas, com farta comunidade (teriam metade do trabalho e é livre e legal faze-lo) e montarem um esquema personalizado de suporte, manutenção de drivers, etc, (poderiam deixar até o sistema ligado aos repositórios da distribuição original (em qualquer universidade brasileira tem hospedagem de distribuições), deixar a atualização correr por conta dos Debian, Fedora, Mandriva, Ubuntu da vida. Tudo! Não precisavam fazer nada.

Fizeram o pior. Criaram essas coisas que ninguém nunca ouviu falar, feitas para não funcionar, e deixam o consumidor à míngua. É feito para o cara comprar o piratão mesmo. Eles sabem que não dá em nada enganar o consumidor, pouca gente reclama, é difícil, demorado e trabalhoso reclamar, etc.

Coisas como Fênix, Insigne, e outras distribuições inventadas para dar boot, e fingir que funciona, são assim por que o esquemão foi desenhado assim, desleixadamente, por quem não entende. É para enganar mesmo. É para vender a máquina fingindo que tem um sistema com tudo que o governo pediu, Office, Internet, etc. e se quiser botar piratão, melhor pra eles que ainda não precisam dar suporte ou garantia. As centrais de suporte desses fabricantes estão vazias, e foi pra isso mesmo que projetaram esses Linux de quinta.

Gente, me acreditem, a coisa mais fácil do mundo é fazer uma distribuição personalizada baseada em algum Linux de primeira. Tem programinhas que fazem isso. Aqui, um grande golpe no consumidor virou uma das maiores estratégias do FUD de que se tem notícia no mundo.

Como vocês vêem, o caminho é muito longo para esse “suposto” colapso. A mudança cultural (até com respeito ao direito do consumidor) é demorada demais. A confusão conceitual na cabeça das pessoas ainda é muito grande com relação à “desorganização” do Linux. Idéia errada, superficial, o monopólio deixa a marca simbólica da “unificação” da “ordem” e da “organização” que são demoradas para mudar e difíceis de explicar. Trabalho de formiguinha

Nassif, você ainda me transforma num erudito de tanto me fazer escrever!!! 😛

O fim da imprensa.

abril 8, 2008

O Senador Alvaro Dias, criador do dossiê contra FHC e D. Ruth (que se deixou cavalgar na sujeira) diz que não é 007. Não, é só um homenzinho safado (estou aliviando, pois o presidente da OAB o considera criminoso) que armou uma arapuca em conluio com uma imprensa suja e mal intencionada, interessada em fazer com que o Brasil seja comandado por coronéis e que odeiam o fato de que Lula está libertando a todos desse jugo do passado.

Parece panfletário o texto acima? A diferença entre o meu texto eo que se lê na mídia vendida é que o meu tem algum fundo de verdade. Ora, eu apenas digo, do meu lado, o que eu acho de acordo com os fatos que conheço. Diferente da Folha de São Paulo ou de O Globo. O que me leva a afirmar que o homenzinho Dias criou o dossiê é a mesma lógica que a Folha de São Paulo, A Veja e as organizações Globo usam para dizer que Dilma assumiu a autoria dele. Vejamos algumas coisas que disse o pobre ex-ombudsman antes de “ser saído” da Folha (grifos meus 😛 ):

Na sexta passada, a Folha manchetou “Braço direito de Dilma montou dossiê”.

O jornal não apresentou provas contra Erenice Alves Guerra, principal assessora da ministra Dilma Rousseff.

Não que a informação, necessariamente, esteja errada. Quem leu a reportagem, contudo, não teve acesso a evidência de que esteja correta a versão do jornal.” (mentiram na cara-dura. A Folha é Mal Caráter!)

A Folha descreveu uma reunião com membros da administração para criar “uma força-tarefa encarregada de desarquivar documentos referentes aos gastos do governo anterior a partir da rubrica suprimento de fundos, que incluiu cartões corporativos e contas ‘tipo B’”.

Nota oficial da Casa Civil afirma que tal reunião, “para organizar uma força-tarefa para produzir o chamado dossiê”, nunca ocorreu.

A Folha também não comprovou a realização da reunião.” (Mentirosos!!!!!!!)

Ou ainda:

Esta segunda-feira não foi um bom dia para a Folha. O jornal não destaca a defesa de ninguém do governo. E titula na primeira página: “Dossiê é ‘covardia institucional’, diz ministro do STF”. Só no texto se descobre que Gilmar Mendes se refere a dossiês em geral, e não ao dossiê agora revelado. (Empulhação, enrolação, desinformação!)

O “Estado” deu entrevista com o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. O “Globo” saiu com declarações do ministro José Múcio. Não sei se o que eles dizem é verdadeiro ou falso, mas é direito dos leitores conhecer pontos de vista divergentes.

Hoje a coluna “Perguntar não ofende” (pág. A2) se refere ao “documento de 13 páginas que vazou para a imprensa, cuja autoria o próprio Palácio do Planalto assumiu”.

Talvez, em meio a tantas informações, tenha me passado despercebido. Não me lembro, contudo, de ter lido que o Planalto assumiu a confecção das 13 páginas. (Seus mentirosos safados!)

Na edição de sábado, a Folha divulgou declaração de Dilma: “Não acho que a Folha e a Veja montaram isso [dossiê]. Outros fizeram este trabalho e vocês [da imprensa] estão divulgando”.

Ou seja, a ministra negou a produção das 13 páginas.

Minha impressão é que a Folha produz uma cobertura em tom unilateral que menospreza as incertezas que cercam o caso.(Não. Não menosprezam, eles montaram essa coisa juntos e você era o palhaço que não sabia e perdeu o cargo por isso!!)

Outro pedaço de outro texto do ex-ombudsman:

Hoje a Folha cometeu, creio, um erro ao omitir na primeira página o confronto de ontem no Congresso. O senador Álvaro Dias admitiu ter visto o dossiê antes de sua divulgação. Dar destaque ao fato não implica tomar partido no noticiário, mas reconhecer a importância da declaração.

O “Estado” titulou na parte superior da capa: “Governistas acusam tucano de vazar dossiê dos cartões”.O senador afirmou ontem: “Na segunda, logo após a circulação da revista ‘Veja’ no domingo, desta tribuna afirmei ter visto o dossiê”.

Hoje o título (de sentido dúbio) da Folha é “Aliados pressionam tucano que admitiu ter visto dossiê” (alto da pág. A6). Se Dias conta a verdade, por que a Folha –e o conjunto ou parcela significativa do jornalismo– não publicou a declaração do senador assim que ele a fez? Por que só agora? (Por que não era pra ter vindo à tona! Era pra ficar escondido e botar a culpa no governo e derrubar a Dilma, a próxima presidente da república. Tudo em nome de garantir que tucanos continuem a ter o direito sagrado a serem comandantes da desgraça novamente nesse país!!! Alooou!)

O senador tem razão: ele está protegido por garantia constitucional de não revelar a fonte que lhe permitiu acesso ao dossiê. Essa prerrogativa deve ser defendida pela democracia. Ela assegurou revelações importantes, oriundas de parlamentares, que os cidadãos conheceram por meio do jornalismo.

Dúvida: Dias avisou FHC sobre o dossiê? Se não avisou, como houve chantagem? Quem foi chantageado? (Aloooou! FHC sabia de tudo, tava pronto pra botar seu nome na reta com coisinhas bobas para dar uma de cristo, e “cristianizou” a mulher de maland… ops! Sua esposa junto!)
Dias depois o coitado ainda tenta alguma resposta sobre as afirmações da Folha. Nessa altura o pobre coitado já sabe que a empresa na qual trabalha faz parte da armação, mas se mantém fiel a sua honestidade e ao seu cargo. Coitado. Pareço duro com o cara que foi o único honesto da história, mas a verdade é que não da mais para aturar, jornalismo hoje, graças às grandes corporações, é sinônimo de safadeza, BANDIDAGEM, como no caso desse dossiê tucano.

Seis dias atrás, a Folha manchetou: “Braço direito de Dilma montou dossiê”.

O relato continua a carecer de comprovação, e o jornal o flexibiliza. Hoje diz que a assessora “deu ordem para a compilação de dados”. Ou que ela “assumiu a ordem para a confecção de um ‘banco de dados'”. O “furo” da sexta virou, também, a “ordem para elaborar o banco de dados“.

de outro trecho:

Na sexta, a Folha informou que teve acesso ao dossiê e publicou trecho dele em fac-símile. Por que não permitiu que os leitores conhecessem, pelo menos na internet, a íntegra do documento, para tirarem suas próprias conclusões? O blog do Noblat faz isso agora. Ainda é tempo de o jornal fazer. (não era pra ter feito nem isso, seu néscio, é que o bicho esquentou por causa da Internet!!!)

O noticiário de hoje reforça a impressão de que governo e oposição se empenham no desgaste mútuo, mas nenhum está, realmente, disposto a investigar os gastos palacianos das gestões atual e passada. Se Álvaro Dias conheceu e repassou? um documento que considerava manipulação de informações sigilosas por funcionário público para fim de divulgação e chantagem, por que não denunciou o fato à Polícia Federal e pediu abertura de inquérito?(pede pra sair, pede pra sair!!!! hahahahaha! Ele nem era pra ter aparecido!)

O ex-ombudsman Mario Magalhães “foi saído” da Folha por causa disso. Quem assumir seu lugar, já sabemos, será um vendido, pronto a não desafiar os padrões da Folha na frente dos outros (e claro que não vai fazer de dentro também, vai ser um compadre só pra dar “aparência de independência”). A grande imprensa quando questionada do ponto de vista jornalístico prefere se livrar do jornalista a mudar de discurso. Está em campanha para derrubar o Brasil e eleger gente que enche seus bolsos. Exatamente como José Serra e a editora Abril.

Hoje se pode dizer, sem muito medo de errar, que não existe jornalista honesto nas redações dos jornais, no máximo existe o omisso, que está ali por que tem de alimentar os filhos (ou a si próprio, o que não deixa de ser um bom motivo 😛 ). De qualquer maneira, está suja a profissão. Hoje em dia jornalista é mais uma daquelas parcelas da população que ninguém confia, como a polícia e a justiça. (Aliás o entrelaçamento entre esses três atores: polícia, justiça e imprensa é um capítulo à parte). Infelizmente, quantos mais abaixam a cabeça para poder sobreviver, mais mal fazem a si mesmos, à sua classe, à sua profissão e, pior,  à população em geral. E por tal não devem ser perdoados. Serão cobrados.

Como é que alguém como Willian Waack pode cobrar providências do governo e falar de moral e instituições no jornal da TV e sair impune dessa armação?!?! Ele e sua organização não tem moral nem pra vender paçoca! O que é que a Globo ainda está fazendo no ar?!?!?!

Não, o senador homenzinho não chamou a polícia Federal. O que ele fez foi uma sujeira, tramou essa denúncia vazia para criar crise no governo e tentar mais um golpe na credibilidade de Lula e de quem mais possa sucedê-lo. Essa é a única maneira que esse grupelho de pessoas de mal caráter (leia-se tucanos) tem de ganhar a presidência nas próximas eleições. A única providência tomada foi o fim da posição de ombudsman da Folha.

Com relação ao senador Álvaro Dias e os jornalistas desses órgãos de imprensa, é importante que suas famílias, amigos e as pessoas nos lugares por onde eles passam estejam alertas, e reajam como tal, com nojo, diante de sua presença. É preciso reagir, mostrar a essas pessoas que estão fazendo mal. Sem violência, viu gente, que eu não quero ser processado. Apenas virem a cara.

Se tudo foi tramado pela imprensa em conluio com o senador Álvaro Dias é claro que ela não poderia deixar um de seus integrantes, o ex-ombudsman, desfazer o golpe!

Agora o pior de tudo. Por que estou tão danado com jornalistas, sendo sócio de um, namorado de outra e se tem tantos deles nesse blogroll aqui do lado ou mesmo em links aqui nesse post (aliás, gente como Luis Nassif foi muito importante para quebrar esse esquema safado)?

Por que a situação de golpe continua. A farsa do dossiê da Veja e de Álvaro Dias-PSDB-FHC (eles mesmo divulgaram uma falsa chantagem! É a auto chantagem! As manchetes deveriam ser: Tucanos se “auto chantageam!“) foi detonada mas a grande imprensa ao invés de mudar o viés continua pressionando com a história, fingindo que não ouviu e inventando novas mentiras para explicar suas armações. Isso força uma radicalização que ou leva à destituição da Ministra ou de sua funcionária falsamente acusada pela imprensa, ou leva à… a que? o que sobrou da imprensa? só vergonha, cabeça baixa, má fama…

Sinto muito, mas se não dá pra baixar a fervura, do meu lado quero logo a combustão!

Por vontade própria, vaidade, poder, ou necessidade pura e simples, eles escolheram um lado e se fecharam em barricadas ideológicas que se sustentam em sensacionalismo e mentira. Infelizmente a resposta será à altura.

(K)Ubuntu do dia: Kurumin-NG

abril 7, 2008

Essa é pra quem está curioso sobre o novo Kurumin: o Kurumi-NG, Nova Geração. O papel de parede não sei quem fez, mas ficou ótimo e o tema é muito bonito. O painel pode até lembrar o Windows XP na sua versão prata, mas não só é mais bonito como é mais poderoso. Vida Longa ao Kurumin

DesktopAmarokKaffeine-KonquerorOpen Office 2.4

Bobagens da net

abril 5, 2008


The Nerd (Brasil) Test -- Create and Take a Fun Quiz @ NerdTests.com's User Tests!

Quem quer doce?

abril 1, 2008

No Blog do Alê Porto tem esse post:

Uma imagem que vale o desespero

Um docinho para quem descobrir o que representa essa imagem.

Uma dica: é o que tem deixado a oposição cada vez mais desesperada.

Marcadores: Desespero

Aliás, o Blog do Alexandre Porto é meu diazepam diário. Depois de quase infartar de raiva das campanhas mentirosas nas bancas de jornal, leio lá aquilo que acontece de verdade. Noticiado inclusive pela grande imprensa golpista em seus recônditos mais escondidos, para que o público, que não passa da primeira página, não leia.

Aqui vai a reprodução de outro post dele:

REPRODUZIDO DE http://www.aleporto.com.br/

A rejeição da classe média

Deu hoje no Globo: “A rejeição de setores da classe média ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva divide opiniões entre analistas políticos, embora ganhe conteúdo crítico entre profissionais liberais que integram essa camada social. Autor do estudo “Classe média: desenvolvimento e crise”, o economista Ricardo Amorim avalia que a falta de apoio desse segmento a Lula se dá por dois motivos: a perda de posição econômica e social nos últimos 15 anos e o preconceito contra um ex-operário.

Ao mesmo tempo que a classe média perdeu renda, poder de consumo e até reputação, ela nasceu atrelada ao progresso e ao interesse da elite. Como ela quer ser como os ricos, não reconhece o pobre como igual — avalia Amorim, para quem a insatisfação aumenta por causa do acúmulo de impostos. Quem arca com os impostos neste país é a classe média, porque o pobre não tem como pagar, e o rico tem como fugir — diz”.

Se essa análise estiver correta, eu me pergunto: Lula seria o responsável pela “perda de posição econômica e social da classe média nos últimos 15 anos”? Em grande parte a classe média cresceu atrelada ao emprego estatal. Aos quatorze salários, à estabilidade do emprego e às aposentarias integrais. E aqui também a responsabilidade do presidente Lula é nenhuma. Resta o preconceito contra um operário.

Hoje foi anunciada mais uma pesquisa Datafolha apontando Lula com uma ótima avaliação. 48% dos pesquisados consideram seu governo ótimo ou bom e apenas 15% ruim ou péssimo. Os 10 meses do terremoto midiático diante da crise nos aeroportos, não conseguiram arranhar a popularidade do governo. Os analistas políticos, os chamados formadores de opinião, estão sem opinião. Perdidos como cegos em tiroteio, atirando para todos os lados sem entender o que estaria acontecendo no país. O que não estaria dando certo em suas estratégias.

Um dado interessante levantado pela pesquisa é que 29% dos brasileiros que andam de avião consideram o governo ótimo ou bom. Estaria nesse grupo a pior avaliação do presidente. Apesar de ser um índice 19% menor que o média nacional, ainda é maior que as últimas taxas apresentadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (como pode ser conferido clicando aqui).

Demonstrando um quadro de absoluto desespero pessoal, Eliane Cantanhede chega a escrever em sua coluna “O inacreditável Lula” na Folha de São Paulo:

Antes, teflon. Agora, o que dizer? Um muro? Uma barra de aço? Lula parece imune à incompetência e à inação do seu governo na crise aérea. […] Além da paixão dos que o sentem como “um igual a nós”, Lula agrada aos muito ricos e dividiu a academia, os jornalistas e a internet, jogando na polarização: quem está com ele é do bem, de esquerda, a favor do povo; quem está contra o governo é da elite perversa e corrupta.

Quem será mesmo que está jogando na polarização? Um presidente que faz a massa salarial crescer 7%, nos últimos 12 meses; o consumo no varejo crescer 10% no mesmo período; o crédito mais de 20%; com os dados macroeconômicos que diariamente lemos no jornais; pode ser avaliado pela “crise aérea”? Como se esse fosse o problema mais importante do país? Como se Congonhas não tivesse sido transformado num hub nacional pelo governo anterior? Como se Lula fosse realmente o responsável pelas centenas de mortes nos dois acidentes aéreos?

Cantanhede já disse, em outros artigos, que acha perigoso para o país essa “suposta” polarização entre os ricos e pobres no Brasil. Talvez seja a defesa da teoria da “paz social” desde que vinculada à manutenção do staus quo. Se Lula representa a mobilização dos excluídos, em direção a uma maior participação na pirâmide, eu não acho nada perigoso. Essa turma é de paz e quer apenas uma fatia maior no bolo. E parece ser isso o que estamos presenciando no Brasil. Um eleitor de Lula no Nordeste disse ao Globo em setembro passado que a vida dele melhorou 30%.

No entanto, a classe média voltou às compras em Miami, com o dólar barato, e está comprando carros e imóveis como nunca no Brasil, com crédito farto e mais barato. Até mesmo a perda de posição econômica, apontada por Ricardo Amorim, parece estar se revertendo. Acho que resta mesmo é o preconceito contra o presidente operário, que tem a língua presa e com um dedo a menos na mão. Um presidente que em cerimônias oficiais fala a linguagem do povo, a mesma usada pela classe média em seus momentos de lazer.

“O cara diz que precisa comer o ovo, mas fica torcendo para a galinha não botar o ovo”, disse o presidente criticando os pessimistas de plantão, diante dos mais recentes dados industriais divulgados pelo IBGE. A galinha, presidente, vai continuar botando os ovos que eles não conseguiram botar em mais de 20 anos. E os formadores de opinião continuarão sem entender a lógica dos resultados das pesquisas e das urnas.

Quer melhor resposta a esses questionamentos que o comentário da empresária Marta Serrat, líder da fracassada passeada da vaia ontem na Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro?

“A vaia do Maracanã não foi orquestrada. Foi uma manifestação do povo que paga imposto e que está descontente com o Bolsa Família, que incentiva a ociosidade. ”

Quem será mesmo que aposta na polarização?

Marcadores: Classe média, Datafolha, Eliane Cantanhede, Massa salarial, Preconceito

Leia o blog que vale a pena!

Ombudsman da Folha mostra que a onda é sem fundamento

abril 1, 2008

Um dossiê e muitas incertezas

Mário Magalhães, Ombudsman da “Folha”

Um dossiê (ou relatório ou “fragmentos da base de dados”, como prefere a Casa Civil) sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sua mulher, Ruth, e antigos ministros foi produzido no Palácio do Planalto e vazado de forma ilegal.

Tão escancaradamente ilegal que foi constituída pelo governo uma “comissão de sindicância para apurar o episódio”. Oficialmente, busca-se culpado(s).

A origem das informações, processadas na Casa Civil, é inequívoca, reconhecida inclusive pelo governo.

A essa altura, mais ninguém questiona a autenticidade das informações sobre gastos contidas nas 13 páginas. No domingo, a Folha demonstrou que “o relatório mostra a seleção de informações bastante diferentes do padrão de dados lançados no Suprim [‘sistema de controle de suprimento de fundos da Presidência’] e estranhas a um trabalho definido como um ‘instrumento de gestão’, sem viés político”.

Hoje os jornais reafirmam que, ao contrário do que afirma Dilma, não houve pedido do TCU para produzir o levantamento sobre FHC ou algo que desse base à investigação.

A existência do dossiê/relatório de 13 páginas foi revelada pela revista Veja no fim de semana retrasado.

Na sexta passada, a Folha manchetou “Braço direito de Dilma montou dossiê”.

O jornal não apresentou provas contra Erenice Alves Guerra, principal assessora da ministra Dilma Rousseff.

Não que a informação, necessariamente, esteja errada. Quem leu a reportagem, contudo, não teve acesso a evidência de que esteja correta a versão do jornal.

A Folha descreveu uma reunião com membros da administração para criar “uma força-tarefa encarregada de desarquivar documentos referentes aos gastos do governo anterior a partir da rubrica suprimento de fundos, que incluiu cartões corporativos e contas ‘tipo B'”.

Nota oficial da Casa Civil afirma que tal reunião, “para organizar uma força-tarefa para produzir o chamado dossiê”, nunca ocorreu.

A Folha também não comprovou a realização da reunião.

O jornal não afirmou que o dossiê foi utilizado para chantagear membros da oposição na CPI dos Cartões Corporativos. Fez bem. Um dos aspectos intrigantes do caso é que o dossiê é incapaz de constranger FHC. Chefe de um governo em que se acumularam escândalos de grande monta, em especial nas privatizações, o ex-presidente não se sai mal das 13 páginas. Se tudo o que os governistas têm contra ele for aquilo…

Ou seja: como fazer chantagem contra alguém e seus aliados com informações que não causam dano ao chantageado?

Alguém foi vítima de chantagem? Quem? Se foi, é informação que o jornalismo deve.

Seria diferente, por exemplo, em uma nação fictícia, situação e oposição promoverem chantagem pesada com informações sobre filhos do atual e do ex-presidente, se os rebentos tivessem amealhado riqueza durante ou em seguida aos mandatos dos pais. Aí, sim: ameaças capazes de fragilizar o mais valente dos investigadores de comissão de inquérito do país da imaginação.

Quem tinha muito a perder, por rigorosamente nada em troca, seria a ministra da Casa Civil. Mais por eventual dolo, menos por incapacidade de gerir com segurança um sistema de dados ou manter aloprados em sua equipe, mas sempre perdendo.

Essa peça, decisiva, não se encaixa no quebra-cabeça. Até agora, pelo menos.

Esta segunda-feira não foi um bom dia para a Folha. O jornal não destaca a defesa de ninguém do governo. E titula na primeira página: “Dossiê é ‘covardia institucional’, diz ministro do STF”. Só no texto se descobre que Gilmar Mendes se refere a dossiês em geral, e não ao dossiê agora revelado.

O “Estado” deu entrevista com o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. O “Globo” saiu com declarações do ministro José Múcio. Não sei se o que eles dizem é verdadeiro ou falso, mas é direito dos leitores conhecer pontos de vista divergentes.

Hoje a coluna “Perguntar não ofende” (pág. A2) se refere ao “documento de 13 páginas que vazou para a imprensa, cuja autoria o próprio Palácio do Planalto assumiu”.

Talvez, em meio a tantas informações, tenha me passado despercebido. Não me lembro, contudo, de ter lido que o Planalto assumiu a confecção das 13 páginas.

Na edição de sábado, a Folha divulgou declaração de Dilma: “Não acho que a Folha e a Veja montaram isso [dossiê]. Outros fizeram este trabalho e vocês [da imprensa] estão divulgando”.

Ou seja, a ministra negou a produção das 13 páginas.

Minha impressão é que a Folha produz uma cobertura em tom unilateral que menospreza as incertezas que cercam o caso.

É possível que as coisas tenham ocorrido como o jornal sugere?

Sim. Poder tudo pode.

Mas é possível que haja outros elementos.

Ao contrário do dossiê Cayman/Caribe, as informações são verdadeiras. Ao contrário de outros dossiês, entretanto, elas não intimidam ninguém (a não ser que sugiram o conhecimento de outras despesas, cabeludas).

O vazamento das 13 páginas pode ter sido obra de petistas, aloprados ou não? Pode. Em 2006, com a reeleição de Lula nas mãos, a ambição de ganhar também o pleito paulista produziu o escândalo que contribuiu para empurrar a eleição presidencial ao segundo turno.

As 13 páginas também podem ter sido obra de quem queria desgastar o governo e reanimar a CPI dos Cartões. Ou, mais especificamente, ferir a ministra Dilma, que está longe de ser a candidata preferida do PT e de setores do Planalto para 2010.

Um incômodo da cobertura é que, evidentemente, a Folha sabe mais do que conta aos leitores. Uma coisa é o jornal ter recebido o relatório de alguma fonte do PT. Outra, do PSDB. Outra, ainda, de um funcionário, mais que petista, fiel à ministra.

O jornal deveria pisar no freio e ser mais cético. Um dossiê incapaz de constranger alguém não teria eficiência como instrumento de chantagem. A impressão é que, ao contrário do que a Folha e o jornalismo em geral dão a entender, a verdade sobre o episódio ainda está distante, seja ela qual for.

Por último: o episódio em curso ressalta a tragédia à democracia que é a ausência de transparência sobre o poder público no Brasil. Gastos dessa natureza, seja no governo FHC ou no de Lula, não deveriam estar protegidos por sigilo, e sim ser de conhecimento dos cidadãos.

Leia O Caso Veja por Luis Nassif

O araponga e o repórter por Luis Nassif

abril 1, 2008

O novo capítulo de “O Caso de Veja” revela os bastidores do grande momento de Veja: o grampo do pagamento da propina de R$ 3 mil a um funcionário dos Correios.

Mostra as ligações do repórter com o araponga, de como o araponga vendia seu pacote de serviços – que incluía o grampo e a possibilidade da matéria ser publicada na Veja – e de como o repórter atuava como “consultor”, avaliando a gravidade ou não do grampo e aguardando que o araponga escolhesse a melhor hora para publicar a matéria.

Depois, como as pessoas que contrataram os serviços do araponga assumiram o comando da corrupção nos Correios, foram presos no ano passado e a revista nada noticiou.

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Comentário

Atenção, amigos blogueiros que estão reproduzindo a série: incluí no último capítulo um intertítulo sobre a Operação Selo, que prendeu a quadrilha que, através de um mero grampo de uma propina de R$ 3 mil, assumiu o comando da corrupção nos Correios. Solicito atualizarem o capítulo.

Reproduzido do blog de Luis Nassif, leia o capítulo aqui

Gabeira?

abril 1, 2008

Quando me perguntam se voto em Gabeira me vem logo a lembrança de Raul Seixas:

Hoje a gente já nem sabe
De que lado estão certos cabeludos
Tipo estereotipado
Se é da direita ou dá traseira
Não se sabe mais lá de que lado

Um suposto verde e ex trabalhista, inscensado pela Globo e agregado a gente como “bicho velho”, Marcelo Alencar e até FHC e Artur Virgílio?!?! Essa sociedade não tem nada de alternativa…

Eu que sou vivo pra cachorro
No que eu estou longe eu tô perto
Se eu não estiver com Deus, meu filho
Eu estou sempre aqui com o olho aberto