CALEIRO E O RANCOR DE FHC

novembro 6, 2009 por linhadura

Publicado em Vi o Mundo

 

FHC vs. LULA

Ex-presidente ataca pelos jornais

Por Maurício Caleiro em 4/11/2009

De um ex-presidente é esperado comportamento discreto, respeitoso para com seus sucessores, que paire acima dos ódios políticos e colabore para o avanço do país. Se eventualmente discordar do modo como o país é conduzido e não quiser guardar para si tal discordância, deve manifestá-la de forma polida, racional, colaborativa, sem qualquer laivo de agressividade ou ataque pessoal.

Os EUA têm dado, ao menos nesse quesito, uma demonstração de civilidade democrática. Em sua grande maioria, seus ex-presidentes mantêm uma postura respeitosa para com os chefes de Estado que os sucedem. Alguns, como Jimmy Carter e Bill Clinton, continuaram servindo ao país em fóruns internacionais mesmo quando governado pela oposição. Até na fase terminal, lame duck, do pior mandatário da história norte-americana, George W. Bush, quando as críticas se fizeram inevitáveis, elas não deixaram de obedecer, no mais das vezes, a certos protocolos e de manter o respeito pela Presidência enquanto instituição.

“Autoritarismo popular”

Tais digressões vêm à tona no contexto da repercussão do artigo “Para onde vamos?”, escrito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e publicado no domingo (1/11) pelos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Zero Hora, entre outros. Nele, o ex-mandatário destila acusações contra o “autoritarismo popular”, o “subperonismo lulista,” o “poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo”.

Para FHC, “diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo `Brasil potência´”. O ataque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é direto: “decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido”.

Não que a conduta de FHC fuja à regra dos ex-presidentes pós-ditadura militar. Sarney procura preservar uma certa liturgia em relação ao cargo que um dia foi seu, mas como a utiliza para a manutenção da imagem de homem cordial e para a satisfação de seus interesses políticos comezinhos, é questionável sua validade ética. A Collor, chamuscado pelo processo de impeachment, não foi cedido o devido espaço midiático para dar vazão a seus humores pós-Presidência, enquanto Itamar Franco não perdeu chances de destilar ressentimentos e críticas ferinas aos que o sucederam.

Altas doses de rancor

Nenhum deles, porém, o fez com a freqüência, a virulência e a dose hiperbólica de rancor utilizadas por FHC – e também não lhes foi franqueado tanto espaço na mídia para divulgação das próprias idéias nem, sobretudo, foram estas tão repercutidas posteriormente por terceiros.

Relevemos o erro crasso de concordância no primeiro parágrafo (“A enxurrada… talvez levem”) e a atribuição a Hamlet de uma fala que é, na peça de Shakespeare, de Polônio (dirigindo-se ao personagem-título: “– Apesar de ser loucura, revela método. Não quereis sair do vento, príncipe?”). Se Lula incorresse em tais erros, seria evidente sinal de ignorância; cometidos pelo príncipe da sociologia brasileira, em meros erros de revisão se tornam.

Concentremo-nos, pois, em três dos aspectos que mais se evidenciam artigo. O primeiro é a acusação difusa e imprecisa de autoritarismo, a qual não é sustentada por nenhum ato institucional ou prova material produzidos pelo governo de turno, constituindo, portanto, mera estratégia retórica de choque empregada pelo dublê de articulista. “Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária”, escreve FHC, como a sugerir, numa lógica torta, que só os governos sob vaias seriam democráticos.

Faça o que eu digo, não o que eu faço

O segundo aspecto diz respeito ao quanto a maioria das acusações ao governo de turno, justas ou não, se mostrariam procedentes se aplicadas à Presidência do próprio FHC. O blog O Hermenauta oferece uma boa revisão crítica nesse sentido, cuja leitura eu recomendo. Ele demonstra, por exemplo, com o auxílio do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil – 2003 (IPEA/PNUD), que a referência à “riqueza fácil que beneficia poucos”, presente no artigo de FHC, nunca foi tão recorrente como na administração do agora acusador, e que alguns dos projetos ora por ele criticados – como o reaparelhamento da Força Aérea, tiveram início em seu próprio governo.

Examinemos, de nossa parte, duas dessas acusações-bumerangue: é no mínimo contraditório que um dos líderes tucanos acuse Lula de ter escolhido Dilma Rousseff candidata à sucessão no “dedazo”, quando o próprio PSDB escolheu Geraldo Alkimin candidato à Presidência em 2006 em um jantar para quatro convivas, regado a vinhos finos, em um dos mais elegantes restaurantes paulistanos.

Já a acusação contra os fundos de pensão, de sua concentração nas mãos do funcionalismo público, sob alegada hegemonia do PT, vinda do ex-governante que mais incentivou a formação, vitalização econômica e decorrente fortalecimento institucional de tais fundos, soa mais como o lamento de um político derrotado num ponto-chave de sua estratégia de poder do que como uma crítica coerente.

Ora, conquista hegemônica de poder, respeitadas as regras democráticas institucionais – e FHC não fornece evidência alguma de que estas não estejam sendo seguidas –, é o jogo jogado. A leitura de seus arrazoados acaba por dar a impressão de que a ambição – no caso, da aliança liderada por PT e PMDB – de continuar no poder tem algo de intrinsecamente autoritário. Mas não foi Sérgio Motta quem anunciava aos quatro ventos que o projeto do PSDB era de 20 anos na Presidência? Dois pesos e duas medidas?

Rancores mal dissimulados

Mas o aspecto mais evidente do artigo do ex-presidente – que não contém qualquer proposta programática – é seu subtexto, pleno de rancores mal dissimulados e que deixa entrever que o que move o peessedebista não são os ditames da razão e as alegadas preocupações com o futuro do país, mas os humanos, demasiadamente humanos sentimentos figadais da inveja, do despeito e do orgulho ferido.

Bastariam para atiçar tais rancores o sucesso da política econômica – com o Brasil sendo o primeiro país a sair da crise mundial –, das políticas sociais que beneficiam mais de 30 milhões de pessoas, da diplomacia que colocou o Brasil efetivamente como player mundial (um feito que FHC se esforçou por lograr e não conseguiu) e, talvez acima de tudo, a projeção internacional de Lula, reconhecida tanto pelos principais órgãos da mídia mundial como por governantes de modo geral, à frente Barack Obama – que o quer na presidência do Banco Mundial.

Mas há mais: FHC começa, finalmente, a ser preterido e renegado por seu próprio partido, o qual tenta manter sob seu controle desde que deixou a Presidência. Vinha sendo bem sucedido até então, apesar do ônus que impôs a José Serra e a Geraldo Alckmin (SP), respectivamente nas eleições presidenciais de 2002 e 2006 – em que, pesando como uma pedra no lombo dos candidatos peessedebistas, colaborou sobremaneira para o duplo naufrágio. Nesta semana, porém, o PPS do camaleônico Roberto Freire (PE) impôs como condição ao apoio a Serra na próxima corrida ao Planalto que o PSDB se desvencilhe do fardo FHC. Ele acusou o golpe.

Papel constrangedor

Se FHC fosse o grande intelectual e a personalidade política superior que seus acólitos e a mídia de forma geral apregoam, poderia ter evitado o papel constrangedor e pleno de empáfia que vem há tempos desempenhando (e que atinge o ápice no artigo citado), pelo qual será fatalmente julgado pela História. Tivesse mantido uma postura serena e madura – ainda que eventual e respeitosamente crítica –, o tempo encarregar-se-ia de envolver em um véu de esquecimento sua Presidência de raros acertos e colossais erros, entre eles os que – sem enfrentar uma crise mundial sistêmica – levaram o país à insolvência três vezes e legaram um índice altíssimo de desemprego, que ora atinge seu menor nível histórico.

Substituindo os ataques pessoais e a manifestação de sentimentos ao rés do chão por uma atitude urbana, civilizada, condizente com a de um ex-mandatário máximo do país, conseguiria, com o apoio das forças comunicacionais das quais dispõe, preservar a contento sua própria imagem através dos tempos.

Para assim agir, no entanto, é necessário ser um estadista. Coisa que Fernando Henrique Cardoso, pondo sempre seu ego ferido à frente dos interesses do país, já deu mostras evidentes de que não é.

É preciso gritar!

fevereiro 24, 2009 por linhadura

O que me preocupa não são os gritos dos maus, é o silêncio dos bons

 

Dia e hora do ato público

 

Quero pedir vossas opiniões sobre qual a melhor data para a manifestação. Em princípio, pensei no primeiro sábado de março, às 10 horas da manhã. Alguns amigos da blogosfera sugeriram que seja no começo da noite durante a semana, digamos umas 19 horas. De qualquer forma, será na semana que vem.

Já fiz alguns contatos e na quinta-feira importantes blogs e sites começarão a difundir a manifestação junto com o Cidadania.

Quero cumprimentar aqueles que já se dispuseram a ir. Vocês são verdadeiros cidadãos.

Não tenho grandes expectativas em termos de número. Se conseguíssemos reunir as duas centenas de pessoas que foram à manifestação na Folha em 2007 ou na do Masp no ano passado, estaria de ótimo tamanho. Mas mesmo que não consigamos reunir tanta gente, o importante é a qualidade dos manifestantes, não a quantidade.

Se quiséssemos fazer número, seria só recorrer a comunidades carentes etc. Há muitos meio$ de levar essas pessoas a esse tipo de ato. O PSDB é craque nisso. No entanto, o que queremos são pessoas conscientes do que será feito, e que estarão lá por entenderem o que está em jogo hoje no Brasil.

Peço a todos que se dispuseram a ir se manifestar, que durante os próximos dez dias não descuidem de vir aqui se inteirar sobre o andamento das coisas.

Em nome da democracia, cumprimento a todos os que estão apoiando esta iniciativa cidadã.

 

Participem vocês que estão aí perto!

Lula deixa a oposição e seus aliados sem discurso

fevereiro 24, 2009 por linhadura

12/09 – 12:16 – Ricardo Kotscho.
Leia mais  no blog dele!

Ficou mais difícil a vida dos líderes da oposição e seus fiéis aliados na grande mídia depois da publicação da nova pesquisa “Datafolha” sobre o presidente Lula. ”Aprovação a Lula bate recorde histórico - Pela primeira vez, presidente obtém a maioria em todos os segmentos, incluindo os mais ricos e escolarizados”, mancheteia a “Folha” desta sexta-feira.

Não por acaso, nenhum dos seus colunistas tocou no assunto. Preferiram falar de Bolívia, Petrobras, tropas nas favelas cariocas. O problema é que o “Datafolha” simplesmente desmontou todos os argumentos utilizados pelos partidos de oposição e a maior parte dos meus colegas colunistas desde a reeleição de Lula em 2006.

O que eles argumentavam? Que Lula só se reelegeu graças aos votos dos pobres, nordestinos e analfabetos beneficiados pela Bolsa Família, chamada de “bolsa esmola”, os mesmos que depois seriam responsáveis pelos seus altos índices de aprovação nas faixas de menor renda, nas regiões mais carentes e entre os menos escolarizados.

Era esse o discurso. O que eles irão dizer agora? Com 64% de índice de avaliação ótimo/bom e apenas 8% de ruim/péssimo (incluindo aí certamente muitos amigos jornalistas), um recorde depois da redemocratização do país, fico pensando no que eles irão dizer e escrever amanhã.

Segundo o jornal, “Lula também acaba de obter, pela primeira vez, a aprovação da maioria absoluta da população brasileira em todos os segmentos sociais, econômicos e geográficos do país”.

Ainda de acordo com a pesquisa, “pela primeira vez, Lula tem o apoio da maioria do Sudeste, nas regiões metropolitanas, entre os que têm curso superior e entre os que vivem em famílias com renda familiar superior a dez salários mínimos”.

Imagino que nem o próprio Lula poderia sonhar com estes números no sexto ano de seu governo, depois de pegar o país numa situação muito difícil em 2003, com a economia em frangalhos e sem credibilidade no exterior, e tendo que enfrentar uma crise política após a outra em seu primeiro mandato.

Para falar a verdade, ninguém, nem eu, poderia prever este cenário em 2008. Faz 30 anos no mês que vem que voltei da Alemanha, onde era correspondente do “Jornal do Brasil”, virei correspondente da “Istoé” do Mino Carta no ABC, conheci Lula e me tornei seu amigo.

Trabalhei com ele em três campanhas presidenciais e durante dois anos na Secretaria de Imprensa do governo e nunca o vi tão bem, tranqüilo e satisfeito como no último fim de semana quando passei três dias com Lula no Palácio da Alvorada.

Não falamos de política, mas da vida, lembrando de momentos  difíceis que passamos juntos nestas três décadas em que o Brasil saiu da ditadura para o mais longo período de liberdades, com crescimento econômico e distribuição de renda, o que explica sua aprovação popular pesquisa após pesquisa.

De dieta, sem poder provar o bom chope que serviu aos amigos, cercado de filhos, noras e netos, todos sob o comando da implacável Marisa, até comentei com ele como agora tudo parece normal, natural, a gente ali em volta da piscina do belíssimo palácio de Niemeyer restaurado recentemente pelo casal, mas teve hora, muitas horas, em que isso simplesmente poderia parecer delírio de sonhadores malucos.

Lula está colhendo agora os frutos da sua própria determinação, da fé no seu taco com o que plantou no primeiro mandato e do compromisso com suas origens nordestinas e operárias que fizeram dele um líder político diferente de todos os outros em nossa história de mais de 500 anos - e por isso cavou nela, literalmente, o seu lugar.

Agora ele se veste bem, cumpre os rituais do poder e viaja pelo mundo com a sem-cerimônia de quem antes ia passar fim de semana na Praia Grande, mas na essência não mudou sua forma de se relacionar com todos, humildes ou poderosos, sempre questionando, provocando, desconfiado das velhas verdades absolutas.

Valeu, Lula.

Em tempo: estreou ontem, quinta-feira, 11 de setembro, o meu blog aqui no iG, o “Balaio do Kotscho”. Tem entrevistas exclusivas com os presidenciáveis Ciro Gomes e Aécio Neves falando sobre 2010 e o Brasil pós-Lula.

Estão todos convidados a fazer uma visita. Se gostarem, coloquem entre seus preferidos no endereço:colunistas.ig.com.br/ricardokotscho.

Crise? Que Crise?!

novembro 30, 2008 por linhadura

Venda de material de construção deve crescer 28% neste ano

Gazeta Mercantil – O crescimento de 36,5% na receita de vendas de material de construção no acumulado até o mês de outubro e a alta de 18% no volume vendido no mês em comparação com igual período do ano anterior levou a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) a rever, pela quarta vez neste ano, as projeções de crescimento para 2008. As vendas devem avançar 28%, nível de crescimento recorde para o setor, que com isso deve obter faturamento de R$ 100 bilhões. No início deste ano a previsão da Abramat era de um incremento de 12% nas vendas. Em 2007 a alta foi de 15%.(…)

Banco do Nordeste alcança marca histórica no financiamento de Micro e Pequenas Empresas (MPE)


Banco do Nordeste em Uruçuí, Piauí

O Banco do Nordeste acaba de atingir a marca histórica anual de R$ 1 bilhão em operações realizadas exclusivamente com o segmento de Micro e Pequenas Empresas (MPE). O montante, que representa um crescimento de 960% em relação ao total contratado no exercício de 2002 (R$ 94,3 milhões), alavancou também o número de contratações do Banco com o segmento, que saltaram de 3.326, em 2002, para 61.094, em 2008 (posição do mês de novembro), o que representa um incremento de 1.600%.(…)

Investimento externo soma US$ 3,913 bi em outubro


Folha Online – A entrada de investimentos externos diretos líquidos no país foi de US$ 3,913 bilhões em outubro, comunicou há pouco o Banco Central (BC). Em outubro de 2007, houve ingresso de US$ 3,188 bilhões. Do começo deste ano até outubro, foi registrada entrada de investimentos externos de US$ 34,747 bilhões (2,62% do PIB), próximo da meta deste ano, de US$ 35 bilhões e acima dos US$ 31,169 bilhões de período equivalente do ano passado (2,87% do PIB).(…)

Mais manchetes boas sobre a crise…

novembro 30, 2008 por linhadura

Cala a boca, FHC!

novembro 25, 2008 por linhadura

CARONI: NÃO DIGA BOBAGEM, FHC

Tirado do Vi o Mundo

Atualizado em 24 de novembro de 2008 às 19:58 | Publicado em 24 de novembro de 2008 às 19:54

Não diga bobagem, Fernando Henrique

Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de “grande economista”. Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: “Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu”.

Gilson Caroni Filho
, na Carta Maior

A psiquiatria define obsessão como idéias ou imagens que ocorrem repetidamente e parecem estar fora de controle. A compulsão surge, então, para aliviar a angústia que essas idéias e imagens provocam. As últimas críticas de Fernando Henrique Cardoso ao presidente Lula estão inseridas em recorrentes esforços de apagar e reescrever a triste história dos seus dois mandatos sucessivos.

Ao aproveitar um encontro com prefeitos eleitos pelo PSDB paulista para atacar o atual governo, FHC comporta-se como uma pessoa que apresenta duas ou mais personalidades, sendo que a função de uma delas é dissimular seu verdadeiro estado, escondendo-se do mundo exterior, de sua própria realidade. Curiosamente, parece viver somente agora o seu verdadeiro exílio. Aquele que o distancia do que foi – e ainda é – para aproximá-lo do que gostaria de ter sido. No imaginário se reconcilia com a imagem cultivada à sombra das ilusões uspianas e escapa da pequenez política que adquiriu.

Atribuindo a Lula um suposto alheamento da crise econômica, o ex-presidente tenta ser irônico ao chamar seu sucessor de “grande economista”. O tom jocoso presente em “veste a roupa, rei. Pare de falar bobagem”, resvala para o patético quando afirma que “aqui não é marola, não. Vai perguntar pra quem está perdendo o emprego hoje, que é mineiro da Vale, se é marola. Não é marola. Marola é quando você não é afetado. Está afetando.”

Provavelmente estamos diante de um lapso. O “conselheiro” do presidente parece ter apagado da memória que, em seu governo, o país se superou em matéria de malversação do dinheiro público, socialização de prejuízos e entrega do patrimônio nacional. Que foram oito anos de securitização de dívidas de latifundiários inadimplentes (o “agrobusiness”) com o Banco do Brasil. Oito anos de crescimento mínimo e endividamento externo máximo.

Esquece também que, como em nenhuma outra, sua gestão promoveu a dependência do país ao capital especulativo, sucateou a Previdência, jogou o país na recessão, e submeteu o destino da nação aos ditames do FMI para conseguir empréstimos de socorro. A nudez presidencial nunca foi tão escandalosa como no período compreendido entre 1994 e 2002.

O tucanato no poder, e é bom que nunca esqueçamos disso, fez das teses monetaristas uma religião. Seu legado foi uma inflação camuflada, desequilíbrios imensos tanto no plano interno quanto no externo. A desnacionalização de partes substantivas da produção e serviços nacionais foi a tônica de uma época que insiste em se apresentar como a “era da estabilidade”.

Aumento do desemprego, congelamento – ou irrisórios reajustes salariais dos servidores públicos – e uma escalada sem precedentes da violência urbana foram algumas das obras marcantes de FHC. Esse mesmo que, em tom professoral, pretende ensinar ao presidente como se comportar em uma crise.

Segundo o economista M. Pochmann, comparando-se os dados do Censo Demográfico de 2000 com os de 1994, encontrava-se um adicional fantástico de sete milhões de novos desempregados gerados durante sete anos. Quantos destes foram ouvidos pelo presidente tucano? Perto da política arrasada do neoliberalismo, o que temos hoje ainda é marola, sim.

Talvez fosse conveniente o ex-presidente ler publicações antigas. Na IstoÉ, de 20 de junho de 2002, o industrial Eugênio Staub, da Gradiente afirmava: “Estamos no sétimo ano de um governo que, em 2002, entregará um país em piores condições do que recebeu. O responsável pela situação atual não é o pobre, nem o americano, nem o militar, somos nós, a elite brasileira”. Segundo Staub, a única saída era “a eleição de um líder que fosse capaz de mobilizar a força transformadora”. Em suma, alguém capaz de consertar os estragos deixados pelo “grande sociólogo”. O ex-presidente que, ao deitar falação, reaviva a memória de quais foram as vestes usadas em seu reinado.

Falta um amigo que, em ocasiões como essa, lhe sussurre discretamente: “Não diga bobagem, Fernando Henrique, você continua nu”.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

Quanto vale uma comunidade humana?

novembro 6, 2008 por linhadura

Sobre o filme Narradores de Javé que assisti novamente há poucos dias:

Resolvi começar a análise colocando a pergunta acima pois me parece que a maior questão do filme é essa e não as possíveis considerações acerca da história oral, de como se faz a história “oficial” ou “científica”, sobre a questão da identidade (pois se é humano, tem história que foi feita por gente, que fez dali sua base no mundo), ou até mesmo a discussão sobre qual é a “verdade” -versão mais aceita -sobre uma série de acontecimentos. Melhor seria então dizer que as questões que se me aparecem mais graves são, não só quanto vale uma comunidade, mas também, quanto vale sua história e se uma só vale pela outra. Isto é: uma comunidade só é digna de respeito quando tem uma “boa história” pra contar? O que é uma história digna de virar “patrimônio”?

Ao colocar esse dilema o filme expressa também a questão do desenvolvimento industrial capitalista que julga isto como apenas um efeito colateral passageiro, ou seja, o desenvolvimento da sociedade ainda que focada em uma parte dela (em detrimento de outra) teoricamente leva ao desenvolvimento de todas as outras através de um aumento das possibilidades de iniciativa privada que pode portanto prover um ganho maior àquelas pessoas em ontro local. O Banco Mundial, em um relatório de 1994, calcula que 4 milhões de pessoas são deslocadas por ano em todo mundo só por causa de grandes barragens, sendo que entre 1983 e 1993 foram “reassentadas involuntariamente” 90 milhões de pessoas. É a mesma quantidade de pessoas deslocadas pelas guerras ao redor do mundo(1). Como diria Antônio Biá em seu arroubo de lucidez e decepção no final do filme: “Isso é Científico!”

Visto que numa sociedade capitalista a palavra patrimônio está ligada a uma lógica de acumulação de riqueza, posso dizer que aquela gente se viu obrigada a “agregar valor ao seu produto humano”. Que história é digna de ser preservada, de ter o destino da comunidade que a criou poupado dessa violência? A história da Grécia e do Olimpo, de Roma e do Coliseu, do Ipiranga e seu grito?! O importante da história é a comunidade da qual é reflexo, que ao mesmo tempo a escreve e a ela se referencia. Não se pode dizer sem muito trabalho que a história tem uma função em si, mas com certeza uma de suas propriedades é dar a uma determinada comunidade humana (e suas relações) um ponto de partida dentro do qual se cnam (e por conseguinte, se desenvolvem e transformam a história) identidades, práticas, visões de mundo, etc. A história de Indalécio e Maria Dina, sua peregrinação de sino e tudo, funciona como gerador de referências, um “mito de origem” no qual se espelham os moradores da comunidade. Seja como herói ou covarde (se foi fuga ou “retirada”, até hoje ninguém descobriu mas, não faz díferença), Indalécio é a referência para os homens daquela comunidade, seja como líder valente ou louca varrida, Maria Dina é uma referência de identificação das mulheres que destacam seu papel. Essas referências (assim como a religiosidade tragicômica do sino transplantado de lá pra cá, símbolo de que essa comunidade tem de se agarrar a outras fonnas de identidade, que não a história e a região, há muito tempo…) criam um conjunto de identidades pessoais (algumas requerendo mesmo relações de parentesco direto com os heróis), identidades locais, e relações sociais tão rico quanto o de qualquer outra comunidade humana É preciso rever o quanto antes os critérios pelos quais se guiam os “caminhos do desenvolvimento”, o eixo tem de mudar da produção para o homem.

É neste momento (de transplante da comunidade) que a sensação generalizada e antiga de que o homem não faz a história, de que ela é lhe é externa e imutável e se dá apesar dele, é reforçada pelo modelo de desenvolvimento dominante.

Por fim, diria que o valor de uma comunidade não está no fato de sua história ser mais bonita ou mais importante segundo critérios subjetivos (ou “científicos”), mas sim de que toda comunidade, todo homem, não só tem história, mas dela é ator principal.

(1) World Bank Enviroment Department (1994) Resettlement and Development. The bankwide review of projects involving involuntaIy resettlement 1986-1993 s.I., The World Bank Enviroment Department, 1994. Tirado de A violência como fator migratório: Silêncios teóricos e evidências históricas. (Carlos B. Vainer, Revista Travessia Maio-Agosto/96.

Dando um tempo

abril 16, 2008 por linhadura

Vou sair do Rio durante o resto dessa semana ( ficarei fora todas as semanas por um tempo), e provavelmente estarei muito cansado durante esse fim de semana para escrever algo novo, ou mesmo ler meus blogs prediletos.

Mas você não precisa parar de ler! Leia as continuações que sairão essa semana do Caso de Veja, do Luis Nassif. Essa semana, segundo ele, as coisas foram precipitadas por um caso ecabroso: Soninha vai à Guerra. A guerra não foi à Sonhinha, mas a Soninha, que já tinha participado, deve ter levado alguma trombada boa… Acho que ela é inocente na coisa, ainda, pelo menos. Alguém deve ter feito uma prévia de inferno na vida dela e ela, humana, estancou e tremeu. Quando pensar direito, vai se levantar. Deslumbramento passa e a sobrevivência se aprende.

E tem também os ótimos blogs aí do lado, fora o meio bit e o fórum do guia do hardware, do Carlos Morimoto, os quais eu vivo esquecendo de colocar o link aí no blogroll. Google ta aí pra isso :P

Boas semanas!

Correção do post anterior.

abril 14, 2008 por linhadura

Onde se lê que a Sun fez uma cópia do Red Hat e vende um suporte chamado Unbreakable Linux, leia-se Oracle. Confundi as duas empresas ao falar sobre o Solaris.

De qualquer forma, minha análise sobre a decadência do Solaris da Sun já é até coisa velha, principalmente depois de Linus Torwalds desdenhar as possíveis melhorias para o Linux diante da abertura do código do Solaris (já existe o open solaris, mas nem tudo é aberto). Segundo ele, o Solaris tem muito em ganhar com o Linux, mas o Linux já passou por fases em que se beneficiaria disso, atualmente não existe mais essa situação.

Isso coloca mais uma grande empresa (a Oracle), com alta performance e expertise em desenvolvimento e  suporte na concorrência pelo suporte Linux, aumentando o calor na fervura do desenvolvimento e da ampliação do mercado de software livre.

Sobre o suposto colapso da Microsoft

abril 12, 2008 por linhadura

Luis Nassif publicou dois posts em dias seguidos que renderam uma boa discussão. Um sobre o “Maior Fracasso da Microsoft“, o Vista e outro sobre uma análise do Gartner sobre o “colapso da MS“.

Vou colocar aqui algumas considerações que fiz sobre os comentários lá e que mostram como andam 1) a confusão que ainda reina na cabeça de muita gente (mesmo os usuários mais antenados) e 2) o longo caminho que falta para esse colapso acontecer de verdade.

Vamos ao que eu escrevi no caso do maior fracasso da MS em resposta a alguns comentários e ao post em si:

trabalho com geoprocessamento. Não existe nenhum soft de geoprocessamento para Mac, que eu saiba tem um para Linux, o resto é só para windows. Vou sair do Windows pra quê?”

Não sei exatamente o que você chama de geoprocessamento, mas em Macaé, no tempo que trabalhei por lá tinha dois enormes armários, cada um com 16 processadores risk e 20 gigas de ram, ligados por um craylink, dedicado à pesquisa geológica, rodando AIX. Windows não roda nem de perto nesse tipo de hardware. Aliás, quem falou em 64 Bits 8 GB de RAM e coisitas desse tipo, até muito pouco tempo atrás só se desfrutava de máquinas desse calibre em Unix/Linux, MS nem chegava perto.

Quando se fala em supercomputação , clusters e escalabilidade DE VERDADE, só se fala em Linux. MS está anos luz atrás. Nem vem que não tem. Programas de produção gráfica para Linux existem, mas infelizmente são proprietários e chegam a custar quase 20 mil dólares uma licença. Grande estúdios de Hollywood são famosos por usar Linux customizado (ele dá essa liberdade a empresa) em plataforma powerpc para produção de efeitos gráficos. É, infelizmente a produção média que não existe: Adobe, autocad… ainda. Embora já tenha existido no passado.

Quem lembra do Corel Draw para Linux? Melhor, quem lembra do Corel Linux?

Quando a Corel ainda era referência em softwares de desktop, office e design, a MS sorrateiramente traçou um plano para impedir que a Corel continuasse a ter acesso aos códigos necessários para produzir uma versão de qualidade para o Windows 98. Foi aí que enquanto a Corel correu atrás depois do lançamento do sistema, a MS lascou o office, de todas as maneiras possíveis em todas as máquinas. Quando a Corel chegou o MS Office já tinha uma base instalada tão grande que ninguém mais deu bola, ainda mais com a facilidade da pirataria.

A Corel então lançou, não só Corel Draw e Office para Linux, como um Corel Linux que já vinha com tudo embarcado. Chegou a fazer onda, mas as contramedidas da microsoft, ameaçando o Corel Draw de não funcionar mais no Windows quase levaram a Corel a falência. Foi nessa tacada que a MS enfiou o office goela abaixo consolidando seu monopólio e a Corel deixou de ser ponta em design.

Agora a Adobe se aproxima do SL e só o faz por que a MS não é mais a mesma. Está longe de falir ou de ser um fracasso, mas seu monopólio já diminuiu em tamanho o suficiente para não ameaçar demais os outros. Não foi sem muita empresa boa falida e sem muito processo judicial pesado em cortes internacionais.

O aparecimento de aplicativos de design para Linux se dará na medida que o “ambiente” :P demandar. Não é deficiência do Linux em si e já estão dando atenção ao problema. As dificuldades que existem no caminho, fora as de mercado, já deu pra sentir.

Mais uma vez tive problemas com uma distribuição Linux … desta vez o Ubuntu na semana passada. Após uns dias viajando, ele pediu para atualizar uns 20932093020932MB de arquivos, como de costume… incluindo uma atualização do próprio sistema.

A opção de fazer o download em segundo plano e automaticamente sem perturbar o usuário estão bem evidentes nos ambientes que conheço (em boas distribuições): Gnome e KDE. Uma atualização que termina mal tem sido a marca da MS. Acontecer de vez em quando em qualquer SO é normal, acusar o Linux disso como uma marca de sua “imaturidade” é bobagem.

Isso é “cultura Windows”. Todo mundo sabe onde fica tudo no Windows. Óbvio existe uma curva de aprendizado. Mas, para quem nunca usou nenhum como acontece em massa no Brasil, essa cultura é sem sentido e se sustenta por preconceitos assim. E se reproduz em pirataria.

Muito poucos usuários sabem instalar e configurar o windows, mas os “técnicos” só sabem sobre ele, portanto, todo mundo que tem problemas, formata e tasca o piratão. O Linux e SL em geral estão mais do que prontos para o usuário final (para o administrador de grandes DB, grande processamento, segurança e ambientes de rede e serviços ele já é TOP há muito tempo. Google, por exemplo usa Ubuntu como desktop oficial, não por ser bonzinho, por que o sistema é bom!). Pra quem usa Office, internet, email, IM e coisas assim (99% dos negócios no centro do RJ, por exemplo) ou como lazer, media center, etc. está muito bem servido de sistema com um Kurumin ou Ubuntu, ou Fedora, Mandriva, etc. Não vou falar Debian, pois é mais queixo duro mesmo.

Alem da qualidade do Windows (sim, o Vista É melhor que o XP, mais seguro, mais estável, mas não compensa na relação custo/benefício nem contra o XP), o que o segura é a cultura há muito enraizada. Mais nada.

Realmente essa briga não é entre bonzinhos e mauzinhos, é entre consumidor e monopólios, ainda mais os que se perpetuam pela inércia da cultura.

Acho que ninguém quer o fim da MS, todos querem é mais concorrência, menos monopólio, mais alternativas, menos trancas proprietárias e mais controle sobre uma das principais interfaces atuais de acesso à cultura e informação: seu próprio computador.

Não se tem de reclamar do Linux por não ter Photoshop pra ele, mas com a Adobe por não fazer um. Assim se aumenta as possibilidades de liberdade de o usuário usar “o programa que quiser da marca que quiser”.

Existe, ainda bem, um número cada vez maior de usuários focados em usar, sem ficar pensando se os drivers e programas são livres, que querem apenas a alternativa viável. Se o fabricante fizer, vai ter demanda, pelo soft proprietário, em conjunto com o Livre (o que não significa grátis)!

Eu sou fotógrafo, sem o Vista ou XP estaria perdido. Quando um profissional como eu tiver diante de si ao menos 3 opções na hora de montar seu sistema (MS, Apple e Linux), quem ganha é a concorrência e, principalmente, os consumidores.

Agora o que escrevi também em resposta ao outro post “O ciclo do Windows” (e a alguns do comentários):

Por mais que isso pareça música aos meus ouvidos, acho que foram um pouco longe demais. Esses problemas existem (a falta de modularidade inclusive já foi descrita como uma das frentes em que o Windows 7 vai melhorar), inclusive sabe-se que é um proposta difícil, mas daí a essa situação de sinuca de bico vai uma distância. Colapso?

Primeiro que o ecosistema ainda está em pleno funcionamento e se realimentando (inclusive pela pirataria), em todos os ambientes em que se usa MS, mesmo nos servidores onde é minoria. Ainda que o caminho seja só de derrocada, ela vai durar muitos anos ainda.

Em segundo lugar, a mudança em toda a base instalada deve ser muuuuuito gradual (e pro bem da concorrência, não deve ser total), na medida do rompimento de paradigmas, melhor treinamento, e mudança de hábitos. Essas coisas levam tempo.

O que nós estamos vendo é a ponta do iceberg que já reduziu em muito o poder de intimidação da MS, vide a aproximação de outras grandes empresas e dela própria com o SL. As coisa começam a mudar, os defeitos estão mais claros, o FUD não faz mais tanto efeito, as pessoas vêem que existe outras opções, etc. muitos fatores estão andando juntos. Tanto em termos de usuário final quanto em termos corporativos.

O que se sente é a diferença do peso dos grilhões e uma certa euforia de liberdade. Ainda leva um tempo de muito trabalho duro.

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A razão disso é que precisariam não apenas escrever o código adaptado a uma determinada versão do Linux como tambem dar suporte à clientela tambem do sistema operacional

Quem dá suporte ao sistema é quem vendeu o sistema, ou melhor ainda no caso do Linux, contrate uma firma que o faça, Software Livre te dá essa liberdade.

O fato de existirem Linuxes gratuitos tão bons quanto os fornecidos pelas empresas (o que é desenvolvido para a grande empresa vai parar na distribuição independente e vice-versa) não quer dizer que seu negócio despreze o suporte profissional da mesma forma que o usuário pirata de Windows. Para quem vai montar uma estação de trabalho em empresa precisa suporte. Pra isso existem Novell, Red Hat, Mandriva, Canonical (o Ubuntu é grátis, versão Server completa e etc. Certificada IBM, Sun e etc. Mas suporte é pago, oras, vai ganhar dinheiro como?).

E pode baixar grátis o Debian, o Open Suse (Novell), Mandriva Free, Fedora (Red Hat), Ubuntu (Canonical) e contratar um dos trocentos negócios locais que poderiam crescer e ser alternativa de suporte (e de emprego, educação, etc…) de qualidade! Você também pode comprar sua licença Linux dessas empresas e desfrutar de suporte por um tempo e depois começar a pagar. Igualzinho à MS :P .

Se a empresa que te fornece o programa não fornece para Linux (e nem para o Vista), diga que vai pesquisar outra, daqui a pouco tem. Num determinado momento todo mundo vai ter de desembolsar para se manter num mercado de maior competição. Esse é um dos motivos pelo qual a análise do Gartner é meio eufórica demais da conta. Tem custo para um monte de gente essa transição de mercado, embora existam vantagens óbvias no futuro.

Algumas suites famosas já foram portadas e ficam no forno esperando, ou o momento de desafiar a MS na cara, ou a transferência desse serviço para a net de vez. Outras estão sendo suportadas no sistema, inclusive graças ao esforço do Google no Wine. Agora Photoshop CS2 é completamente compatível (pra quem usa comprado, isso é muito importante. Quem usa pirata: “- ah, o CS3 é tããão legal…” :P ).

Aí pergunto porque empresas dessa área não adotam o Solaris que é um sistema não apenas muito estável e desenvolvido, mas tambem com um suporte digno daquilo que ele representa.”

Não sei de que área está falando, mas uma estação de trabalho Solaris? Pra que? pra desenvolver Java? O Solaris está morrendo, não tem funcionalidade nenhuma para o usuário. Nesse momento tenta emplacar um ambiente desktop Gnome (Linux) EXTREMAMENTE rudimentar. A Sun Copiou o Red Hat Enterprise retirando as partes com copyright (logomarcas) e vendendo suporte corporativo Linux chamado Unbreakable Linux (e se dando bem). Mais ainda, empresas Linux podem vender suporte para a distribuição concorrente. Isso é competição!
Suporte a Sun tem e do bom, cada vez mais para Linux :P . Mande um email e ganhe um DVD do Solaris de graça, junto com o Developer Tools, estão implorando para alguém usar)

Aí então desisti de comprar os servidores com Linux. Mandei pôr Win2003-64 na fábrica (Dell).”

Você comprou Servidores Dell com Linux embarcado? Que eu saiba servidores Dell com SL ainda vem é com CD do FreeDOS que é pra você poder dar o boot e depois instalar um Red Hat, no site tem (ou tinha) venda de suporte da Red Hat, por fora, agora terá com Ubuntu também. Comprou o Windows com suporte, poderia ter comprado o Linux mais barato com o mesmo suporte e uma distribuição com interoperabilidade garantida com Windows. A Novell, afinal, vendeu a alma pra isso, embora as outras o façam tão bem quanto. Inclusive as gratuitas.

Por fim…

Um capítulo a parte na história do FUD tem sido escrito pelos empresários que fazem parte do programa Computador para Todos e outros de incentivo do governo.

Qualquer um gostaria de utilizar uma tecnologia que diz ser melhor que o Windows, mas isso é, convenhamos, pura bobagem. Essa descoordenação que existe no Linux, sem um responsável, sem uma marketing, sem nada, jamais fará – na minha opinião de leigo – essa tecnologia ser levada a sério e aceita pelos usuários comuns.

A exigência do governo em que as empresas que fornecem software para esses programas sejam estabelecidas no Brasil e que prestem assistência aos compradores é até boa, ou razoável, mas a fiscalização do que é entregue ao consumidor é ridícula. A atenção sobre tal fato tem sido chamada por toda a comunidade brasileira de software livre há muito tempo.

Montaram um esquemão para enganar trouxa: nós, o programa, o governo. Ao invés de pegarem distribuições existentes, amplamente testadas, com farta comunidade (teriam metade do trabalho e é livre e legal faze-lo) e montarem um esquema personalizado de suporte, manutenção de drivers, etc, (poderiam deixar até o sistema ligado aos repositórios da distribuição original (em qualquer universidade brasileira tem hospedagem de distribuições), deixar a atualização correr por conta dos Debian, Fedora, Mandriva, Ubuntu da vida. Tudo! Não precisavam fazer nada.

Fizeram o pior. Criaram essas coisas que ninguém nunca ouviu falar, feitas para não funcionar, e deixam o consumidor à míngua. É feito para o cara comprar o piratão mesmo. Eles sabem que não dá em nada enganar o consumidor, pouca gente reclama, é difícil, demorado e trabalhoso reclamar, etc.

Coisas como Fênix, Insigne, e outras distribuições inventadas para dar boot, e fingir que funciona, são assim por que o esquemão foi desenhado assim, desleixadamente, por quem não entende. É para enganar mesmo. É para vender a máquina fingindo que tem um sistema com tudo que o governo pediu, Office, Internet, etc. e se quiser botar piratão, melhor pra eles que ainda não precisam dar suporte ou garantia. As centrais de suporte desses fabricantes estão vazias, e foi pra isso mesmo que projetaram esses Linux de quinta.

Gente, me acreditem, a coisa mais fácil do mundo é fazer uma distribuição personalizada baseada em algum Linux de primeira. Tem programinhas que fazem isso. Aqui, um grande golpe no consumidor virou uma das maiores estratégias do FUD de que se tem notícia no mundo.

Como vocês vêem, o caminho é muito longo para esse “suposto” colapso. A mudança cultural (até com respeito ao direito do consumidor) é demorada demais. A confusão conceitual na cabeça das pessoas ainda é muito grande com relação à “desorganização” do Linux. Idéia errada, superficial, o monopólio deixa a marca simbólica da “unificação” da “ordem” e da “organização” que são demoradas para mudar e difíceis de explicar. Trabalho de formiguinha

Nassif, você ainda me transforma num erudito de tanto me fazer escrever!!! :P